Um convite à preguiça na Fazenda Água da Capoeira


Música que me traz um pouco de paz e tem tudo a ver com o sentimento que tive nessa viagem!

São Paulo é um estado maluco. Na capital, a vida é corrida, ninguém tem tempo pra nada, as pessoas se xingam no trânsito e muita gente se esconde atrás do smartphone/ seriado/ trabalho/ corpo perfeito/ dieta da moda. A vida por aqui pode ser estressante e extremamente pesada. Precisamos de momentos de descompressão.

Aí você pega o carro, dirige umas duas horas e meia e sente que deixou tudo isso pra trás. Nem parece São Paulo, você pensa. Ou nas estradinhas bucólicas e no meio do mato, nem parece Brasil, raciocina.
Mas fica tudo neste estado maravilhoso sim, e que a gente conhece tão pouco.

Este final de semana nós fomos até Santo Antônio do Pinhal, cidadezinha há uns 180 quilômetros da capital, do ladinho de Campos do Jordão e bem menos muvucada do que a famosa vizinha.

(Parênteses: nunca fui a maior fã de Campos do Jordão, sempre achei a cidade muito cheia e MUITO, mas MUITO cara. Pinhal é uma alternativa muito boa, mais barata e bem charmosa também.)

Você pega uma estrada boa, com pedágios que não custam os olhos da cara (nunca entendi esta expressão, afinal alguém tem olho em outro lugar?) e chega tão rapidinho e tem uma experiência tão legal que passa a considerar fazer um bate-volta, ir até lá somente para almoçar.

Fomos para comemorar uma ocasião muito especial, e o Thi me levou para almoçar na Fazenda Água da Capoeira.
Sem saber muito da cidade, nos baseamos em opiniões encontradas na Internet: primeiro lugar no Trip Advisor, citado no Guia Quatro Rodas. Pelo menos tem boas referências. Fomos.

Na entrada da cidade e no centrinho, tem vários restaurantes e bares bonitinhos, que parecem gostosos e dão vontade de parar. Mas nosso destino era certo, então passamos direto do centrinho e pegamos mais uns 10 quilômetros de estrada até a tal fazenda.

Depois de pegar mais esses 10 quilômetros de estradinha, você deve ficar atento, pois o acesso à fazenda fica logo depois de uma curva e é fácil perder (mas se você colocar o nome da fazenda no Waze, vai chegar direitinho).
Depois de sair da estrada, tem mais uns 5 a 10 minutos de estrada de terra estreita, mas mesmo se o seu carro for baixo, com algum cuidado e desprendimento, chega-se tranquilo. O caminho parece longo, mas as placas ao longo da estrada que dizem “Já está chegando”, te deixam mais tranquilo – e com mais fome.

Quando chegamos lá, pensamos que se tratava apenas de um restaurantes gostoso, mas assim que estacionamos o carro, fomos recebidos pela proprietária Rosana, que nos conduziu pela história da fazenda e por todas as atividades que ali haviam.
Meus olhos logo foram fisgados pata três pontos da fazenda: as mesas de almoço decoradas com toalhas de chita em um deck de madeira com vista para as árvores; a infinidade de árvores frutíferas ao alcance das mãos e as redes posicionadas entre as árvores. Meu plano era: comer muito nas mesas, provar uma fruta direto do pé e dormir na rede depois. Infalível!

A Rosana, que adora uma boa prosa, vai falar por uns 15 minutos. Ouça com atenção e sem pressa. Depois você vai ter tempo de sobra para descansar. E a história da família é bem interessante. Paulistanos que largaram tudo para ir viver na fazenda. Mas essa é a única parte que vou contar aqui: o resto vocês vão ouvir da boca dela.

Tire o dia inteiro para ficar lá. Chegue cedo e vá embora sem pressa. Tire o dia para descansar, comer, prosear, meditar, apreciar a natureza, o que quiser. Mas tire o dia para você!

A atividade principal da fazenda é a produção de frutas, que são vendidas para o Ceagesp. Porém, aos finais de semana, eles abrem o restaurante, servindo comida da fazenda à vontade, em um fogão à lenha.

A variedade de pratos não é imensa, do tipo que estamos acostumados a ver nos bufês de comida mineira ou da roça em São Paulo. Mas é uma quantidade de itens justa, variada e que agrada a todo mundo.
Você pode começar com uma pequena ilha de saladas, simples, mas gostosa, que tem folhas verdes, azedinha (já provaram esta folha? É uma delícia, nem precisa de tempero), tomate cereja e normal, beterraba, cenoura, vagem e até caqui, que descobri que fica muito bom na salada.

Depois, parta para os principais, que incluem frango ensopado (super bem temperadinho), vaca atolada bem macia, arroz, feijão, feijão tropeiro, lasanha, batata e banana frita, batata doce, couve, polenta, carne na lata e os típicos da região fubá suado (fubá puxado na manteiga e temperado – eu achei uma delícia com o caldo do frango) e lambari da horta, que é uma hortaliça que é empanada e frita, e tem formato de um peixinho.
Eu achei a maioria dos itens bem corretos. Algumas coisas faltaram um pouco de tempero, na minha opinião. Mas a refeição completa ficou bem gostosa e me deixou satisfeitíssima.

Primeiro pratinho, com os sucos das frutas da casa.
Primeiro pratinho, com os sucos das frutas da casa.

Durante a refeição, peça um dos sucos da casa. Eles não tem os comuns, tipo laranja, abacaxi e melancia, eles só tem os sucos das frutas que são produzidas lá. O de atemóia é delicioso, mas o de pêssego não fez muito a minha cabeça.
Da próxima vez, quero provar o de caqui e de lima da pérsia.

Aí, depois que você comer bastante, parta para a melhor parte: as sobremesas.
Aqui eu fiquei bem surpresa. Normalmente a parte que menos me agrada nesses restaurantes são as sobremesas. Muitas levam gelatina demais, ou são muito doces, ou não tem gosto de nada. Aqui eu gostei de todas.
Lá tem torta de limão, goiabada com queijo, pudim de leite moça, pudim de queijo, manjar de coco, doce de abóbora, maria mole. Tudo estava maravilhoso, nem um pouco enjoativo!

Para acompanhar estes doces deliciosos, nada como um cafezinho coado, que eles passam na hora para você. Uma delícia, daqueles com gosto de mãe, feito em casa. Até eu que não sou muito do café bebi umas três xícaras.

Se você não conseguir comer tudo o que quiser, não se preocupe. Você vai ficar a tarde toda por lá. Pode voltar a hora que quiser e pegar mais um pastelzinho, mais um pudinzinho….

Depois do almoço, tire uma soneca nas redes. Acredite, você vai precisar, depois de tanta comida.
Mas de jeito nenhum deixe de caminhar pela propriedade.

Não tem como resistir, né?
Não tem como resistir, né?

Depois do seu merecido descanso, e de fazer um pouco a digestão, caminhe até o mirante. Dá uns cinco minutos de caminhada (na subida), mas a vista vale a pena.
No caminho, você vai ver diversos pés de caqui e se tiver vontade de comer um maduro, é só pegar, isso faz parte do passeio e da experiência e é estimulado pelos proprietários. Também tem limão e figo por lá.

Você vai chegar em um deck de madeira com espreguiçadeiras, que tem uma vista simplesmente deslumbrante e de tirar o fôlego da Serra da Mantiqueira. De lá, dá pra ver as montanhas, muita natureza e a Pedra do Baú, ao fundo. Ficou com frio? Não tem problema, a Rosana vai adorar te emprestar uma mantinha.
Fique uns minutos apreciando a vista e recarregando as energias antes de voltar para São Paulo. Se você é da meditação, medite. Se não, apenas curta aquele momento em silêncio. Diz muito, este silêncio. Vai por mim!

Pega essa vista do mirante!
Pega essa vista do mirante!

Quando estiver enfim revigorado, dá para caminhar mais uns dois minutos montanha acima e ver os pés de atemóia, lindos, lindos.

De lá, volte para o restaurante, e escolha o que vai fazer: uma pequena trilha, observar diversas espécies de pássaros da região, caminhar pelos caquizeiros, deitar na rede ou comer mais um pouquinho.

Perdido entre os caquizeiros!
Perdido entre os caquizeiros!

Sem dúvida, este lugar é um convite para a preguiça!

Quando der a hora de ir embora, por volta das 16h, decida se quer – ou pode – fechar o passeio com chave de ouro e hospedar-se em uma das inúmeras pousadinhas da cidade, ou se apenas retorna a São Paulo feliz, com a barriga e o coração cheios.

Dica que vale ouro: Sapato confortável! Tênis ou botas sem salto são as melhores opções. Mulheres: nem pensem em ir de salto. E levem uma blusa, ou uma roupa mais quentinha. Mesmo no verão, a temperatura é mais amena e no fim da tarde faz um vento friozinho!

Fazenda Água da Capoeira (http://www.fazendafac.com/)
Estrada do Barreirinho, km 2,5 – Bairro do Rio Preto – Santo Antônio do Pinhal – (12) 99159-4542 ou (12) 99646-0239
Sábados, domingos e feriados, das 11h30 às 17h.
Custa R$ 44 por pessoa, com direito aos bufês de salada, pratos quentes e sobremesas à vontade + o passeio e aproveitar o dia na fazenda. Não inclui bebidas. Nós dois gastamos R$ 112 e achamos o valor super justo. Vale a pena!

5 comments

  • valeu a dica! Amooo essa região! Eu gosto de toda região! Amo Santo Antonio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Francisco Xavier e Gonçalves! Meus filhos aprenderam andar e “dominar” cavalos. Outra coisa boa para experimentar? Trutas! Parece meio óbvio? Mas é muito booom! Tem um lugar maravilhoso! Desde a salada, feijão( amo feijão! Para mim um arroz e feijão bem feito basta!), a truta e um suco de amora!! Vale à pena explorar a região!

    • Oi tia Eli,

      Obrigada pela visita e pelo comentário!
      A região é maravilhosa mesmo, não é?

      Que lugar é esse que serve arroz e feijão delícia? Também sou apaixonada por uma comidinha simples e bem-feita. Me fala onde é que vou colocar na minha lista de próximos lugares para visitar.

      Beijos

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