Tuju: o novo restaurante da moda!

Oi pessoal!

De tempos em tempos, surge um novo restaurante da moda, daquele que todo mundo quer falar, ir, postar fotos no Insta dizendo que foi, e porque não, criticar?
Muitos desses restaurantes ficam na crista da onda apenas por alguns dias ou semanas, enquanto ainda são novidades, mas muitos perduram e conseguem mostrar que não estão no mercado por brincadeira.

O novo restaurante da moda é o Tuju. É só dar um Google neste nome que você vai encontrar mil matérias, blogueiros e fotos sobre o restaurante. Eu já tinha lido bastante sobre ele, mas ainda não estava na minha lista pessoal de prioridades. Ainda. Até eu assistir uma aula do chef de lá, Ivan Ralston, no Paladar Cozinha do Brasil. Aí a minha lista de prioridades virou de cabeça para baixo e o Tuju passou a ser um dos primeiros da lista.

Ivan e sua equipe no Paladar Cozinha do Brasil
Ivan e sua equipe no Paladar Cozinha do Brasil

O Ivan, chama a atenção, à primeira vista, por ter um perfil bem diferente da maioria dos chefs de cozinha por aí… Ele é tão calmo que parece levitar. E isso é bacana, pois demonstra um pouco a tranquilidade com que ele trata o ingrediente e a sua equipe.

A aula dele foi bastante provocativa, com o mote de “Não existe peixe de qualidade disponível no mercado no Brasil.” Apesar de saber da baixa qualidade não só do peixe, mas dos produtos em geral e da falta de respeito com que o alimento é tratado no nosso país, me incomoda bastante ouvir dele que não dá para encontrar peixe bom por aqui.
Ele levou também o Amaral, armador de pesca, que tem uma técnica inovadora, conhecimento e respeito imensos pelo pescado, e segundo Ivan, um dos únicos que produzem peixe realmente bom por aqui.
Gostei de ver e ouvir o Amaral falando, pois era nítida a paixão e a batalha que ele estava travando, quase que sozinho, para melhorar a qualidade do pescado consumido no nosso país.

Lá pelas tantas, alguém perguntou para o Ivan onde as pessoas comuns poderiam comprar peixe bom para o consumo, e a resposta dele foi que infelizmente, em lugar nenhum. Que era melhor parar de comer peixe como forma de protesto para poder pressionar por uma melhora na legislação, na qualidade e no sobrevida de pequenos – e ótimos – produtores.

Não concordo com o radicalismo do Ivan, mesmo! Mas acho que ele levantou uma bandeira e trouxe uma discussão muito interessante sobre o consumo e a produção dos itens que estão na nossa mesa e na mesa dos restaurantes. As pessoas realmente se importam com a qualidade? Ou melhor, as pessoas sabem distinguir um produto de qualidade de um meia-boca?
Neste ponto, acredito que mais importante que concordar ou não das opiniões uns dos outros, o mais importante é abrir espaço para a discussão e reflexão, e mais que tudo, tentar descobrir algumas verdades e aplicá-las na sua vida… Saí da aula dele extremamente satisfeita, feliz, e curiosa para ver a cozinha que esse chef tranquilo e polêmico ao mesmo tempo, fazia em seu restaurante.

Bom, vamos ao Tuju, depois desta longuíssima introdução:

Escolhemos ir lá para comemorar algumas conquistas importantes, ou seja, melhor clima, impossível. O restaurante fica na Vila Madalena, lugar que apesar de achar muito legal, eu evito ir ao máximo, porque todas as vezes eu eu vou, saio de lá estressada. Não tem lugar para estacionar, os valets metem a faca, o trânsito é uma loucura e é muito bagunçado. Credo! Acho que estou ficando velha!
Mas ok, decidi me inspirar no Ivan, relaxar e curtir a noite.

Fachada do Tuju
Fachada do Tuju

Um dos diferenciais do Tuju é que ele tem uma horta própria, na frente, nos fundos e em cima do restaurante, que os clientes podem visitar livremente. E essa horta é animal! Lá não tem somente ervas (o que é mais fácil e comum), tem beterraba, tomate e até milho, além de umas folhas lindas e deliciosas que não faço a mínima ideia do que são. Ele usa todas as ervas de lá, orgânico, fresquinho e o gosto realmente é diferente.

Eu perdida na horta!
Eu perdida na horta!
Mais da horta!
Mais da horta!

Visite nossa horta - Tuju - Magali Viajante

 

Tinha até epazote!
Tinha até epazote!

Perdemos a nossa reserva por um casal à nossa frente. A hostess, nos ofereceu então a mesa comunitária, no fundo do restaurante e em frente ao bar. Ficamos bem felizes em ter perdido a reserva, a mesa comunitária era bem agradável. Se você está em casal, dá para ter privacidade e ao mesmo tempo, dar risada com as histórias das pessoas ao seu lado.

O ambiente do Tuju
O ambiente do Tuju

O ambiente em si não me impressionou. Achei meio desconectado a parte da horta, natural, orgânico, com um ambiente meio moderno, meio industrial.. não senti muita personalidade, na verdade.

A parte mais bonita do restaurante fica do lado de fora.
A parte mais bonita do restaurante fica do lado de fora.

O bar, bem grande, era bem bonito e além da carta de bebidas, eles servem qualquer drink clássico, mesmo que não esteja no cardápio. Pedimos um Ramos Fizz, drink clássico de New Orleans, feito com Gim, suco de limão siciliano, clara de ovo, água de flor de laranjeira e açúcar. O drink estava uma delícia, perfumado, as minhas amigas mulheres iam adorar!

Ramos Fizz
Ramos Fizz

Pedimos também uma água sem gás, e ficamos muito, mas muito felizes, quando a garçonete nos ofereceu água filtrada do restaurante, sem custo. Uma iniciativa tão bacana, que é falada há muito tempo no mundo dos restaurantes, mas que parece que ainda não pegou.

O bar visto de cima!
O bar visto de cima!

O cardápio é bem enxuto, com 9 opções de entrada e 7 de principal, o que eu achei mais do que suficiente, e muito melhor do que aqueles cardápios gigantes, com mil pratos, que todos parecem iguais.

Pedimos o couvert para iniciar (R$ 9 por pessoa), composto por pães variados, manteiga e azeite. Os pãezinhos pareciam ser feitos lá mesmo e estavam uma delícia. Couvert simples, mas bem feitinho, e servido em uma louça linda da ceramista japonesa Kimi Nii.

O couvert
O couvert

De entrada, pedimos um Tartar com sorvete de mostarda (R$ 32) para começar. Achamos um tamanho bom para compartilhar, talvez como entrada individual seja muito grande. O tartar estava uma delícia, com carne fresca e picada na faca, o sorvete de mostarda era interessantíssimo, e conforme ele derretia e se misturava à carne, o tartar ficava ainda mais gostoso. Vinha também com um pouco de ketchup caseiro, uma delícia; e uma compota de limão, que eu achei forte demais… Entrada aprovadíssima!

Tartar com sorvete de mostarda!
Tartar com sorvete de mostarda!

Para os pratos, escolhemos a Bochecha de Porco com Purê de Batata Doce, Pinhão e Picles de Maxixe (R$ 45) e o Arroz Mar e Montanha, com paio, pato e lagostim (R$ 59). Os pratos estavam lindos, bem feitos, deliciosos e intrigantes. Sabe quando você pede um prato e sabe exatamente que tipo de sabor esperar – não é assim no Tuju – os sabores são diferentes do que você esperava, provocantes e isso pode confundir um pouco. Gostamos muito dos pratos, mas não chegou a emocionar.

Bochecha de Porco
Bochecha de Porco
Arroz Mar e Montanha
Arroz Mar e Montanha

Mas teve uma coisa que emocionou no Tuju: a sobremesa. Ficamos em dúvida entre várias e escolhemos a Mandaçaia, uma torta de maçã, com sorvete de mel e chantilly de tomilho. Quando a sobremesa chegou, apesar de estar lindamente apresentada, confesso que fiquei meio decepcionada, pois a torta de maçã parecia uma compota de maçã. Mas a minha decepção se transformou em devoção quando coloquei o primeiro pedaço na boca. Caracas, que sobremesa!!! Do tipo que há muito tempo eu não comia em um restaurante. Deliciosa, inteligente, bem pensada. Animal!

Mandaçaia - A sobremesa!
Mandaçaia – A sobremesa!

A torta era composta de finíssimas camadas de maçã, com um gosto parecido com Tarte Tatin, um chantilly perfumado de tomilho que era algo de incrível e um sorvete de mel com gosto de mel e ponto. O ponto alto da noite para mim foi a sobremesa! Bravo!
Ao sair do restaurante, conversando com o chef, perguntei para ele como ele fazia essas camadas de maçã e ele me respondeu “Ah, é super fácil, é só cortar a maçã bem fininha…”  Aham, senta lá Ivan!

O que mais gostei: Da sobremesa, sem sombra de dúvidas…
O que não gostei muito: Da trilha sonora – meio anos 80, nada a ver com o restaurante
Dica que vale ouro: Tente falar com o chef, ele é muito inteligente e bacana!

Decisão final: gostei sim do Tuju, mas não entrou na minha lista de restaurantes favoritos. O chef é incrível, mas acho que ainda tem uma boa caminhada pela frente. Acho que tudo, ambiente, comida, equipe, ainda precisam encontrar a sua própria personalidade.

Tuju (http://tuju.com.br/)
Rua Fradique Coutinho, 1248 – Vila Madalena – 2691-5548
Abre para o jantar, de terça à sábado, das 19h30 às 23h; e para o almoço, às sextas, das 12h às 15h e aos sábados, das 13h às 16h.
Gastamos R$ 220, com um drink, couvert para dois, uma entrada, dois principais e uma sobremesa. Padrões de SP!

 

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