8 tendências de alimentação, segundo o Food Forum 2017

Semana passada aconteceu em São Paulo o Food Forum, evento que discutiu as principais tendências de alimentação e os desafios do mercado de comida.

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+ Veja aqui a minha opinião sobre a polêmica da Rita Lobo +

E depois das terríveis notícias da semana, envolvendo grandes frigoríficos e carnes contaminadas sendo vendidas ao consumidor, o que eu ouvi no Food Forum fez ainda mais sentido e quero compartilhar com vocês algumas das principais ideias do evento.

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O Food Forum reuniu mais de 15 palestrantes falando sobre o mercado atual de alimentação e seus cases de mercado. Foram eles:

  • Charles Piriou, diretor da CP&CO e cofundador da Simplesmente
  • Rogério Fasano, restaurateur do Grupo Fasano
  • Enrico Leta, fundador da Yorgus
  • Carla Pernambuco, chef de cozinha
  • Alessandra Luglio, nutricionista
  • Alexandra Forbes, jornalista e cofundadora do Refettorio Gastromotiva
  • Bianca Laufer, fundadora da Green People
  • Felipe Carvalho, fundador da A Tal da Castanha
  • Carlos Ferreirinha, fundador da Bento Store e presidente da MCF Consultoria
  • Danielle Dahoui, chef do restaurante Ruella e apresentadora do programa Cozinha sob Pressão
  • David Ralitera, da Fazenda Santa Adelaide
  • Ricardo Costa, fundador do Quitanda
  • Ailin Aleixo, blog Gastrolândia
  • Katia Santos, Chef de Cozinha
  • Ana Luiza Trajano, Instituto Brasil a Gosto
  • Paulo Machado, Instituto Paulo Machado
  • Neli Pereira, Jornalista
  • Kazuo Harada, Chef de Cozinha
  • Natália Luglio, Chef de Cozinha
  • Priscilla Sabará, Foodpass

O mote todo do evento foi em torno de algo que está muito em voga atualmente e sobre o que muito se fala, a alimentação saudável.
Todos os participantes, além de apresentarem seus negócios, mostraram a importância da maior preocupação com a alimentação e com os ingredientes.

Eu esperava ouvir um pouco mais de tendência, de next steps, do que está pra vir, pois muito do que foi falado já é uma realidade, mas hoje trago pra vocês os highlights e os oito pontos que ficaram na minha cabeça neste evento, com um comentário meu sobre cada ponto:

1.Comer é ato de amor, ato político, ato econômico, ato de sobrevivência, a melhor rede social que existe.

Foi com essa reflexão que Charles Piriou começou o evento, nos relembrando de alguns conceitos que todos já sabíamos, mas que andavam meio esquecidos no fundo da gaveta.

Pra começar (e eu sempre digo isso aqui no blog), não há ato maior de amor do que cozinhar e compartilhar comida com alguém. É por meio da comida que se obtém o que é essencial para a vida e cozinhando para alguém, você transmite sua energia, seu amor, não obstante não gostamos ou não nos sentimos bem com comidas feitas sem vontade ou sem energia.

Além disso, tem se visto cada dia mais como a comida tem se tornado algo político. Plantar a sua própria comida é uma forma de se opor às leis vigentes, comprar de pequenos produtores é ser contrário às grandes corporações, alimentar refugiados como uma manifestação geopolítica.
Comer é algo recorrente em toda a nossa vida. E política tem se tornado algo mais presente, logo, não há mesmo como dissociar os dois.

Comer é ato econômico e principalmente em momentos de crise. Quantas pessoas passaram a cozinhar mais e a comer mais em casa por causa da dificuldade financeira?
Quantos negócios pequenos de alimentação foram abertos como uma alternativa ao desemprego?

E afinal, em tempos de mídias sociais, o tempo que compartilhamos com amigos em volta da mesa ainda é a melhor rede social que existe. Ainda bem que o brasileiro tem o hábito de se reunir com pessoas queridas para comer. Isso traz prazer. Isso é vida real.

 

2. Importância da valorização dos rótulos. O tal do “Clean Label“.

Enrico Leta, da marca de iogurte Yorgus, apresentou como a marca valoriza e usa ativamente o conceito de clean label.
Se você nunca ouviu falar sobre isso, clean label nada mais é do que a utilização de rótulos mais simples, limpos, com informações claras e fáceis de serem encontradas e com ingredientes reais, que são facilmente reconhecidos, compreendidos e pronunciados. Produtos clean label utilizam apenas ingredientes naturais, sem aditivos químicos ou ingredientes artificiais e preferem utilizar poucos ingredientes.

Eu achei muito interessante como a Yorgus trouxe esse conceito para os seus produtos. Atentos à preocupação cada vez maior dos consumidores em ler rótulos e tabelas nutricionais, eles decidiram dar destaque à essas informações, ao invés de esconder, escrever em letras miúdas e confundir o consumidor.

Ler rótulos e entender o que estamos consumindo é algo que as nutricionistas já falam há muito tempo, mas é de total importância para uma alimentação mais rica, mais limpa e muito mais saudável.

Isso é tendência, e pouquíssimas marcas nacionais estão olhando pra isso no momento.

 

3. O consumidor atual é mais moderado.

Ok, todo mundo gosta de um desbunde gastronômico de vez em quando, mas Carla Pernambuco traçou um panorama interessante sobre o consumidor atual: ele é mais moderado, come menos, bebe menos, não fuma e entende a importância de uma vida um pouco mais regrada.

Nem precisamos ir muito longe para lembrar de tempos em que os banquetes, regados à excessiva comida e bebida, eram algo importante.

As pessoas estão bebendo menos e bebendo melhor. Comendo menos e com mais qualidade. Mesmo operações de alimentos que não são considerados saudáveis, como hamburguerias, passaram por uma mudança de modelo de negócio. Hoje os hambúrgueres são menores e mais simples, com menos elementos. Isso faz parte da mudança de consumo.

Se pensarmos nos fumantes, a lei que proibiu fumar em lugares fechados só chegou ao Brasil em 2009, ou seja, ainda é tudo muito recente.

Essa moderação, que só faz bem a todos, é algo que quem trabalha ou pretende trabalhar no segmento de alimentos e bebidas, deve levar em consideração.

 

4. Plant-based diet

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É a ascensão do vegetarianismo e do veganismo.

A nutricionista Alessandra Luglio apresentou como uma dieta de consumo desenfreado de produtos animais, como a que muitos de nós brasileiros levávamos e ainda levamos, traz consequências devastadoras para o planeta.

Apesar da palestra dela ter sido bastante radical, quase como uma convocatória a todos os presentes aderirem ao vegetarianismo, eu vejo algumas coisas interessantes que podemos aprender com isso.

Pra começar, na minha opinião, não é necessário banir a carne da nossa dieta, mas é super factível e saudável para o planeta e para a nossa saúde, reduzir consideravelmente o consumo desses produtos.

Ninguém, em condições normais, precisa comer carne todos os dias. A gama de ingredientes que fornecem proteína e outras vitaminas presentes na carne é enorme e está mais acessível para uma boa parte da população.

Não precisa virar vegetariano, mas dá pra diminuir o consumo de carne sim. E ainda descobrir um mundo de frutas, verduras, legumes e grãos que você nem imaginava que existia.

+ Resoluções para a sua alimentação que você deveria considerar +

 

5. Xô, desperdício ou A vontade suplanta o despreparo

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Alexandra Forbes arrasando ao falar sobre o Refettorio Gastromotiva

 

Acho que essa foi a palestra que eu mais me identifiquei.
A jornalista Alexandra Forbes apresentou o seu projeto do Refettorio Gastromotiva, um espaço no Rio que usa alimentos que deveriam ir para o lixo para alimentar pessoas carentes da região, em uma experiência inesquecível, como se elas estivessem em um restaurante fino.

Pra quem acompanha o blog e me segue nas mídias sociais, não é novidade que eu sempre bato na tecla do desperdício de comida. Vocês sempre veem uma receita de algo que tinha sobrado na minha geladeira, transformar cascas e bagaços em algo gostoso e coisas do tipo.

É que eu odeio jogar comida fora e acho que todo mundo deveria se sentir assim. Podemos começar pequenos, na nossa esfera doméstica, para em seguida cobrar que redes de supermercados, produtores de alimentos e mesmo que o governo coíba este tipo de prática. É algo pelo qual vale a pena lutar!

Mas a fala de Alexandra Forbes foi tão interessante porque trouxe alguns outros aspectos que podem ser relacionados com a vida, e não somente com alimentação.

Em uma platéia cheia de representantes de empresas bem estruturadas, com seus planos de negócio e estudos de mercado, ela contou do seu despreparo para criar o Refettorio Gastromotiva. Mas também disse que, apesar de dificultar as coisas, esse despreparo não foi barreira para que o projeto não andasse e disse uma das frases que eu, como autônoma, que tenho que aprender mil coisas novas todos os dias, tenho usado bastante: “A vontade suplanta o despreparo”.

 

6. Alimentação como forma de auto-imagem e de posicionamento frente aos outros

Carlos Ferreirinha, criador da Bento Store, marca de marmitas cool que faz o maior sucesso, trouxe uma reflexão interessante: “Éramos vistos como nos vestíamos. Agora somos vistos pelo que comemos”.

Ou seja, o papel que a moda tinha antes de afirmação social e de imagem, agora também é exercido pela comida.

Antes, levar marmita para o trabalho era algo que as pessoas tinham vergonha e atualmente, isso mostra a preocupação com uma boa alimentação e boa saúde.

Como você quer ser visto?

+ Conheça as marmitas da Bento Store +

7. Falling fruits, alimentos vencidos, compartilhamento de comida, supermercados colaborativos

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Você sabe de onde vem a sua comida?

 

David Ralitera, da Fazenda Santa Adelaide, deu um show apresentando tendências para o mercado de orgânicos e que em breve será uma realidade na nossa vida. Cito alguns:

  • Falling fruits: um conceito que já existe nos Estados Unidos e que chega agora ao Brasil em que há um mapeamento de onde são encontradas frutas e outros ingredientes que podem ser colhidos sem custo. São árvores que ficam nas ruas, PANCs encontradas em praças e qualquer forma de alimentação que esteja ao alcance de todos.
    Isso está em todos os lugares e o que o Falling fruits faz é mapear essas oportunidades para que esses alimentos sejam aproveitados.
  • Alimentos vencidos: você já deve ter ouvido falar que a data de validade de um produto não reflete exatamente o período exato em que o mesmo pode ser consumido.
    A legislação determina que os produtos tenham uma validade menor do que realmente duram para dar uma segurança maior ao consumidor. Isso é importante, mas faz com que toneladas de produtos próprios para o consumo sejam jogados fora diariamente.
    A França, por exemplo, proibiu os supermercados de jogarem produtos bons fora. Eles devem ser reaproveitados de alguma maneira. Isso é uma tendência crescente no mundo e esperamos que a legislação permita que logo isso chegue por aqui.
  • Compartilhamento de comida: hoje em dia compartilhamos o carro, informações, casa, escritório. Por que não a comida?
    A ideia de compartilhamento de comida é mapear quais são os alimentos disponíveis na casa de alguém ou em algum negócio da área e conectá-los com quem está precisando dele.
    Sabe aquele dia que você compra muitas frutas e não consegue consumir? Com o compartilhamento de comida, você não precisa mais jogar fora, é só trocar ou fornecer pra alguém que queira ele.
  • Supermercados colaborativos: esse também é um conceito que já existe no exterior e que convida pessoas da comunidade para trabalharem na gestão dos mercados locais.
    Isso traz uma maior participação da comunidade, que entende melhor o funcionamento dos mercados, o que faz com que haja uma maior valorização do negócio e ainda diminui custos, trazendo benefício para toda a comunidade.

 

8. Segurança alimentar

Tema tão latente e indispensável nestes últimos dias, Ailin Aleixo trouxe a reflexão sobre a correlação entre saber de onde vem seu alimento e a segurança alimentar.

O que Michael Pollan fala muito no seriado Cooked (tem post sobre ele aqui), tem imensa importância no mercado brasileiro.

A questão da rastreabilidade, de saber de onde vem a carne, o ovo, o frango e tudo mais que você está consumindo, te dá mais informações e logo, mais poder para cobrar mudanças em práticas e legislações vigentes.

Isso é comida do futuro. Saber o que você está comendo, o porquê está comendo e de onde vem a sua comida.
Porque não adianta somente se alimentar, é preciso se alimentar com segurança, sabendo que aquilo não fará mal para você ou para populações inteiras.

 

Várias coisas que eu ouvi e aprendi no evento estão presentes na minha cabeça até agora e inclusive causaram uma mudança de comportamento.

Aqui em casa, eu e o Thiago consumimos pouca carne e buscamos basear a nossa dieta em muitos vegetais. Toda semana praticamos o no-meat monday (que não acontece sempre na segunda feira pra nós, pode ser qualquer dia da semana).

Porém, somos carnívoros e não pretendemos deixar de ser. Mas tomamos a decisão de ampliar ainda mais os nossos horizontes e tentaremos ser vegetarianos por uma semana inteira, pra ver como nos sentimos. Acredito que não será um desafio tão difícil e depois conto pra vocês como foi.

E vocês, que mudanças têm feito em sua alimentação? Deixe seus comentários e dúvidas aqui embaixo.

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