Primeiras impressões sobre o Eataly

Ultimamente, só se fala sobre um tema quando o assunto é gastronomia: a abertura do Eataly, o mercado-restaurante-mega empório-parque de diversões que abriu na Juscelino no final de maio.
O Eataly virou obrigação e a minha timeline do Facebook foi invadida por fotos de todos os meus amigos (todos mesmo, até os que nem ligam para gastronomia) foram até lá e tiraram fotos infinitas no mais novo ponto turístico da cidade.

Mas eu confesso que estava com muita preguiça de ir até lá e enfrentar as filas gigantescas e os ânimos exaltados das pessoas, que pareciam que estavam em liquidação das Casas Bahia no Black Friday (just kidding…)

Aí este domingo eu criei coragem e fui. Mas é claro que fui em um horário alternativo, fora do almoço e jantar. Estava cheio, mas não tinha fila e dava pra passear, mesmo esbarrando nas pessoas e nas selfies.

Devo admitir que a minha expectativa era altíssima. Esperava a Disneylândia dos que gostam de comer e cozinhar. Um mundo mágico da comida italiana. Devo dizer aqui também que gostei, mas esperava mais, bem mais…

(Se você discorda de mim, pode parar de ler o texto aqui. Tenho certeza que vão me odiar por não ter gostado tanto assim).

Mas vamos do começo. O lugar é lindo! A vista de fora impressiona e aumenta ainda mais a expectativa.

Eataly - Fachada - Magali Viajante
Lá dentro, é um mundo de coisas e gente e produtos e comida que te deixa meio confuso. Logo na entrada uma placa: O Eataly tem de tudo, mas tudo é fácil de achar… Vamos lá então…

Será mesmo?
Será mesmo?

Resolvi começar de cima, para ter uma visão do todo e tentar me localizar.
No último andar, “o” restaurante oficial do Eataly, o Brace. Ele estava fechado e não dava nem para subir até lá, mas de longe, parecia bem bonito. No primeiro andar, a vista que se tem do térreo impressiona, o ambiente realmente é grandioso!

Uau!
Uau!

Mas lá, no primeiro andar, tem vários restaurantes ao redor do vão central das escadas rolantes e em volta deles, produtos para comprar. Lá tem a peixaria e o açougue, ambos com produtos muito frescos e bonitos e a rotisserie, que tinha coisas bonitas, mas tão pouco que parecia que estava acabando e como já era domingo de tarde não seria feito mais…

Frutos do mar...
Frutos do mar…

 

... e carnes!
… e carnes!

Aí você anda mais um pouco: cervejas especiais, para levar e beber lá, e vinhos, mas em um ambiente normal, sem nenhuma climatização. Do outro lado da escada rolante, espaço para comprar massas e molhos.

Garrafas de vinho por todos os lados
Garrafas de vinho por todos os lados

Confesso que achei o fluxo do lugar um tanto confuso, e não foi porque estava cheio. Os corredores são estreitos, o local de disposição não faz muito sentido (só dá para achar se você ler com atenção a placa da entrada AND tirar uma foto pra lembrar depois) e mesmo não tendo sentado para comer lá, também achei meio incômodo sentar para jantar ao lado de várias pessoas que vão lá para fazer compras, só separado por um cordão de isolamento.
Você lá conversando com seu amado, ou tratando de negócios, quando alguém grita: “Ô fulano, não esquece de pegar o molho de tomate…”.
Definitivamente não é a minha definição de um bom jantar.
Entendo comer no Mercadão com a barulheira e o bololô ao redor, é isso que o espaço propõe. Mas no Eataly, com o conceito e com o preço cobrado, não thanks!

Aí desci para o térreo, onde tem de tudo um pouco. Logo na entrada, depois dos caixas, muitos livros e uma parte de utensílios domésticos e uma parte chamativa de frutas e legumes. Os preços não eram astronômicos – e nem baratos – mas por ser no Eataly, eu esperava encontrar as frutas e verduras mais lindas do mundo. Nope, tinha tomate meio amassado e cenoura não muito convidativa… Meio descuidado para um lugar que deveria pensar em todos os detalhes.

Em volta, uma infinidade de produtos que vão desde chocolates até quinoa. Me interessou mais o fundo do térreo, que concentra a parte de pães, queijos e o bar de mussarela.
Começando pela parte ótima, as mussarelas de lá são realmente algo de incrível.
Comprei da pequena de bolinha e a grande para levar pra casa. Eles não oferecem degustação, mas se você pedir, eles deixam você provar. A manteiga também é muito boa e tem um requeijão que eu não provei, mas ficará para a próxima visita com certeza.

Já a parte de queijos, eu achei um tanto desleixado. Os queijos em pedaços estavam jogados nas geladeiras, sem nenhuma arrumação ou cuidado. Sim, sei e entendo que tem muita gente e as pessoas mexem e desarrumam tudo, mas na minha opinião, uma operação como esse precisa ser impecável, inclusive com funcionários em número suficiente para arrumar a bagunça dos clientes.

Na parte dos pães, tive outra decepção. Como várias padarias bacanas, eles tem cestos nas paredes para exibir os pães, mas todos os cestos estavam… vazios!
Quando fui perguntar para a atendente se os pães estavam para sair, ela me disse que tudo o que tinha de pão já estava embalado ali do lado. Quédizê, eles tem as cestas para nada, aí eles colocam os pães em um saco que não dá para ver direito o que é, e você compra assim mesmo. Ainda por cima, as plaquinhas ao lado das cestas anunciavam uns 10 tipos de pães e nos embalados, só tinham uns quatro. Perguntei de novo se não tinha mais e ela disse que eram só aqueles mesmos.

Dei mais uma volta, peguei algumas coisinhas, paguei e voltei pra casa.

As minhas compras foram: dois potes com mais ou menos 200g de mussarela de búfala cada; um pote com uma mussarela de búfala grande, de uns 300g; 150g de manteiga; um pedaço de 150g de presunto cru; 100g de salame italiano picante e metade de um pão italiano grande. Gastei R$ 88,00. Não é barato, mas também não é exorbitante.

A mussarela de búfala estava uma delícia: fresca, macia, com bastante sabor de leite. Uma das melhores de São Paulo, vale a pena.

Maravilha!
Maravilha!

A manteiga era gostosa, mas tem boas opções importadas no mercado por preço parecido.

Eataly - Manteiga - Magali Viajante
O presunto cru e o salame estavam excelentes e o pão estava bom também, mas o Thiago achou que poderia ter mais gosto.

Eataly - Pão - Magali Viajante

No final, a experiência foi positiva. Para mim, vale mais a pena comprar umas coisas no Eataly para fazer um jantar ou happy hour em casa, do que efetivamente jantar por lá.

Mas mesmo assim, ainda me pergunto se vale mais a pena ir lá do que no Santa Luzia. Provavelmente, passarei no Eataly sempre que quiser comer uma boa mussarela. Mas não vai virar a minha primeira opção de compras, como havia pensado. Mas se você ainda não foi, precisa ir, para ter a sua própria opinião e assunto nas rodas de amigos…

O que mais gostei de lá: As mussarelas e os cortes bonitos de carne.
O que não gostei muito: Atendentes não estavam muito bem informados e não eram solícitos ou simpáticos. As frutas estavam meio amassadinhas.
Dica que vale ouro: Se puder, evite ir de carro nos horários de pico. O estacionamento não comporta o mesmo número de carros que o de visitantes. Aí ele fica lotado e fecha e você vai ter que achar um outro lugar para estacionar o carro.

Eataly (http://www.eataly.com.br/)
Avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, 1489 – Itaim – São Paulo – (11)3279-3300
O mercado abre todos os dias, das 8h as 23h. Cada restaurante tem um horário específico.
A estação de trem mais próxima é a Vila Olímpia.

E você, o que achou do Eataly?
Não vejo a hora de saber qual será a próxima obsessão do paulistano…Paletas, food trucks, Jamie Oliver, Eataly… algum palpite?