Padaria da Esquina: Delícias Portuguesas em SP

Tiborna, prego, bifana, enchidos, molotof, pão saloio, mealhada e caco. Sabe o que significa alguma dessas palavras?

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Eu também não sabia e sempre fico surpresa com o desconhecimento de grande parte dos brasileiros sobre a gastronomia portuguesa.
Por mais que os portugueses tenham colonizado o Brasil e o país abrigar uma grande comunidade lusitana, parece que o nosso conhecimento sobre a comida da terrinha não vai muito além do pastel de Belém e do bolinho de bacalhau.

Mas há pouco tempo abriu uma padaria que vai ajudar você a saber mais sobre a comida, e principalmente, sobre os pães portugueses.
A Padaria da Esquina é mais um empreendimento do chef Vitor Sobral, o mesmo da Tasca da Esquina (onde uma vez comi uma sardinha excepcionalmente boa) e da Taberna da Esquina.
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A Padaria da Esquina fica nos Jardins, quase na esquina da Estados Unidos com a Alameda Campinas e além dos deliciosos pães, tem um ambiente muito agradável para uma refeição leve.

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O ambiente principal, com o balcão de delícias ao fundo

A padaria é composta de dois ambientes: o salão principal, logo na entrada, onde ficam os pães e doces expostos no balcão, e uma área lateral, aberta, com mesas para lanches e refeições.

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O ambiente aberto, perfeito para um dia de sol

O balcão de pães e doces já dá uma boa dica do que você encontrará por ali. Os pães e as sobremesas são lindos e difíceis de resistir.
Há também uma parte de mercearia, com produtos como manteiga, queijos, vinhos e embutidos para levar pra casa.

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A parte de mercearia, com diversos produtos portugueses e brasileiros

Como era hora do almoço, resolvemos sentar do lado de fora para comer alguma coisa.
O cardápio é bem completo e apresenta opções de café da manhã, salgados, sanduíches, saladas, sopas, tábuas de carne e queijo, doces, sucos e bebidas.
Eu, que me incluo no grupo de pessoas do segundo parágrafo deste texto (apesar de ter dois sobrenomes portugueses no RG), confesso que fiquei super confusa para escolher, por dois motivos principais: primeiramente fora temer porque tudo parecia gostoso e depois por não entender quase nada do que estava escrito ali.

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O cardápio da Padaria da Esquina, com mais opções no verso

Recebi então ajuda do Marcos, um atendente muito simpático e que entendia do negócio. Ele explicou o conceito da padaria, o cardápio completo e ainda deu sua opinião sobre alguns pães e lanches. Arrasou, o Marcos. Pena que o turno dele acabou e ele foi embora. O restante da equipe, apesar de muito simpática e solícita, ainda mostrava pouco conhecimento do menu e número das mesas, mesmo com mais de um mês de funcionamento.

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Dá pra resistir?

Para beber, opções diversas, como águas, sucos, refrigerantes, cervejas e vinhos. Fomos de cerveja. Pedimos a SUD B. Artigianale Pilsen de 500 ml (R$ 20,80), que não conhecíamos. Essa cerveja é brasileira, de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul e mesmo não sendo portuguesa, se revelou uma boa pedida. Leve, refrescante, com aroma adocicado e boa pra tomar qualquer hora. Gostamos bastante.

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A SUD, cerveja gaúcha que tomamos

Para comer, começamos com um Sande quente. Vocês sabem que sempre gostamos de provar o que é tradicional da casa quando vamos em um lugar pela primeira vez, então começamos com a Bifana Tradicional (R$ 21), que é um sanduíche muito conhecido em Portugal. Eu devo ter provado esse lanche em Lisboa, mas não me lembrava especificamente do gosto. Ele é um sanduíche feito no pão d’água, que é algo parecido com o nosso pão francês, com um pedaço de carne de porco dentro, normalmente servido com mostarda.
Simples. Simples e delicioso.

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A bifana deliciosa da Padaria da Esquina

A bifana da Padaria da Esquina vem bem apresentada, em uma tábua de madeira, com mostarda à parte e picles de legumes.
Começando pelo pão, já que estamos falando de uma padaria, ele é maravilhoso. Eu achei ele mais parecido com uma ciabatta do que um pão francês, mas entendi que esse é o pão do dia-a-dia, mais comum. Casquinha crocante, interior macio, com gosto de pão e bem diferente desses pães medonhos de hoje em dia.
A carne de porco também estava deliciosa. Um bifinho fino, macio, bem temperado, que ficava ainda melhor acompanhado da boa mostarda servida.
Os picles, de cenoura, cebola, nabo e salsão, também estavam ótimos. Crocantes, não muito carregados de temperos, acidez correta, uma delícia para tomar com cerveja.
Amamos a Bifana, só achamos que poderia ser um tantinho maior. Ela é tão gostosa, que dá vontade de comer mais.

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Começamos bem, mas nem sabíamos que o melhor ainda estava por vir.

O melhor, nesse caso, foi a Tiborna de Bacalhau, com espinafre, palmito pupunha, tomate assado, salsa, azeitonas, cebolada e queijo meia cura (R$ 21).
A tiborna, como nos foi explicado pelo Marcos, é como se fosse uma bruschetta, só que maior e com um pão macio, nesse caso, o Pão Português, que é uma versão grande do pão d’água.
Os caras da Padaria da Esquina levaram a sério aquela expressão que diz que comemos primeiro com os olhos, pois quando a tiborna chegou, ela era tão bonita e apetitosa, que não pensamos duas vezes e demos logo uma bela mordida nela.

tiborna de bacalhau
Me diz se isso não tá lindo demais!

A principal palavra para descrever essa tiborna, além de boa pra caramba, é equilíbrio.
Faz algum tempo que não como algo tão pensado e equilibrado. Você consegue sentir o sabor de todos os ingredientes, porém sem nenhum mascarar outro.
Pra começar, o pão, cortado em fatia grossa, trouxe a estrutura necessária para “suportar” os ingredientes em cima dele. Não ficou mole, empapado e nem molhado demais.
O bacalhau, em lascas, era saboroso, “carnudo” e com a quantidade exata de sal.
Espinafre fresco, azeitonas boas, queijo delicioso. Mas o que mais gostei foi o tomate assado, feito lá mesmo. Delicado, sem pesar no azeite ou no sal, o tomate assado era simplesmente isso, um tomate assado no ponto certo, macio e firme ao mesmo tempo. De novo, simples e delicioso.

Algumas pessoas talvez achem que falta sal nessa tiborna, mas pra mim, não falta não, isso é só um reflexo dos nossos paladares viciados no tempero. Sinta como ela é equilibrada e delicada. Uma medalha de ouro com recordes olímpicos, é quase crime você ir até a Padaria da Esquina e não provar a Tiborna de bacalhau.
Ela é tão boa que serve como café da manhã reforçado, almoço leve, lanche da tarde, larica pós balada. E o tamanho é perfeito, bem servido, mas nem pense em dividir, pois você vai querer uma só pra você, confie em mim.

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Depois desse desbunde, fomos direto para as sobremesas.
A escolha foi o Pudim de Azeite e Mel (R$ 11) e a Queijada de leite (R$ 4,90).
Apesar de gostar de doces portugueses, eu sempre estranho um pouco a quantidade de açúcar, normalmente demasiada para mim. Mas sei que essa é uma característica de alguns doces portugueses, e não defeito.

O Pudim de azeite estava maravilhoso. Ele é servido em um pote de vidro, tem consistência mais rústica que um pudim de leite, e sabor pronunciado – e delicioso – de azeite, mel e raspas de laranja. Sofisticado e delicioso, vale a pena pedir.

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O Pudim de azeite e mel vem em um pote de vidro

Não ficamos tão malucos assim pela queijada de leite, achamos meio sem gosto. Estava bem feita, mas não é nosso tipo de doce preferido.

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Pra completar, pedimos café. Um espresso (R$ 4,90) e um coado (R$ 3,90), ambos da marca portuguesa Delta.
O espresso não estava bom, queimado, não foi bem tirado.
Já o coado estava melhor, apesar de não excelente. Pouco sabor, pouco aroma, não fez jus ao restante das coisas apresentadas pela casa.

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Café, um pouco queimado, com a sobremesa, deliciosa

Apesar de ter espaço para comer como uma pequena lanchonete, o foco da Padaria da Esquina são os pães, assim como deveria ser em toda padaria.

Garanto pra você que é melhor almoçar aqui do que na maioria dos restaurantes caros da região.

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Da próxima vez que for lá, preciso trazer este Pão Brideiro para casa

Então, para continuar a nossa excelente experiência com eles, decidimos levar alguns pães pra casa. Apesar de grande placa na parede que explicava todos os tipos de pães, o atendente teve paciência, conhecimento e simpatia suficiente para nos explicar um por um.

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A explicação de todos os pães está na parede

Levamos então o Caco, com batata doce; pães d’água, para o café da manhã e o Mealhada, com centeio. Pegamos também um pão de Deus, de massa de brioche com coco (R$ 6,50) e um pastel de Nata (R$ 6,80).
Nem posso dizer o quanto fomos felizes em casa.

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Todos os pães da Padaria da Esquina são feitos lá, com fermentação natural e todos os que eu provei eram bons af.
O meu preferido foi o Caco, macio e com um leve adocicado da batata doce. Desses bons de comer puro, nem precisa de nada.
O Mealhada também estava excelente, perfeito para fazer um sanduíche, que foi exatamente o que fizemos.

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Nada de carrinhos feiosos, aqui você carrega suas compras nessa

O pastel de Nata também é ótimo com massa super folhada e recheio delicioso.

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Pastel de nata delicioso!

Mas se quiser algo bom de verdade, de comer de joelhos, é o pão de Deus, realmente dos deuses. Sabe aquele pão doce com coco que você comia quando era criança. Agora pensa nele realmente bem feito e mil vezes mais gostoso. É esse pão. Sem igual.

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Esse pão realmente é de Deus!

De verdade, agradeço Vitor Sobral por ter trazido a Padaria da Esquina para São Paulo. E sinto muito por ter passado tanto tempo sem conhecer os incríveis pães portugueses.

Padaria da Esquina (https://www.facebook.com/padariadaesquinasp/)
Alameda Campinas, 1630 – Jardim Paulista – SP – (11) 2387-0149. Metrô mais próximo: Trianon-MASP (1,5km)
Todos os dias, das 7h às 22h.
Gastamos uns R$ 120, com toda a comida + o que levamos pra casa + serviço.

Não deixe de provar a Tiborna de Bacalhau neste final de semana!

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