O novo Crios e a face moderna e corajosa dos vinhos de Susana Balbo

Há quase dez anos, em 2007, eu trabalhava em um restaurante japonês que tinha como parte de seu público clientes jovens e endinheirados que queriam “harmonizar” – e a palavra nem era tão usada assim na época – seus sushis com saquês e vinhos; cerveja não era, ainda, uma bebida cool.
Para oferecer um saquê era fácil, o restaurante contava com uma carta bem completa e uma especialista na bebida que ajudava os clientes a escolher a melhor opção. Já para o vinho, apesar da excelente carta da casa, a coisa complicava um pouco.
“Peixe tem que ser com vinho branco”, “Qual vinho vai com shoyu?”, “O wasabi vai matar aquele vinho”, “Posso servir um vinho tinto com o atum?”, eram dúvidas frequentes que surgiam na hora de indicar um vinho para o cliente.
Na época, a sommelier do restaurante nos apresentou um vinho argentino diferente, que costumava ir bem com comida japonesa, tinha um bom custo-benefício e boa aceitação entre o público do restaurante. Era o Crios Rosé de Malbec. Esse foi o meu primeiro contato com a linha Crios e os vinhos da Susana Balbo.

crios de susana balbo
Novos rótulos da linha Crios


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A vida seguiu, eu parei de trabalhar em restaurantes, me tornei Sommelier pela ABS-SP e em 2013, comecei então a escrever esse blog que vocês leem hoje.

Nestes quase dez anos, continuei tomando Crios de tempos em tempos e na última semana, fui convidada para um evento da Cantu, importadora que traz os vinhos da Susana Balbo para cá.
O evento, que contava com a presença de Susana, mostraria a nova cara do Crios e alguns outros rótulos da vinícola.

susana balbo vinho
Alguns vinhos servidos no evento

Logo na entrada do evento, havia uma mesa com frutas, copos e a presença de um bartender. Não entendi direito a razão, mas pensei que iam preparar caipirinhas. Não fazia muito sentido tratando-se de um evento de vinho e logo depois descobri que não tinha nada a ver mesmo, o que eles fariam ali eram coquetéis usando vinhos da linha Crios.

susana balbo malbec
O suposto bar de caipirinhas

Uma estratégia ousada, corajosa e contrária à maioria dos produtores de vinhos, que mais puristas, preferem manter seus produtos ao uso clássico: vinhos servidos puros, na temperatura correta, da forma mais clássica possível. É quase como se dissessem que vinhos bons não merecem ser misturados com nada. Susana Balbo mostrou que não é bem assim.

O mercado de vinhos tem passado por dificuldades de posicionamento mundialmente, mas falando de Brasil, vários fatores contribuem para a diminuição do consumo e do ticket média de compra da bebida.
A primeira delas, e a mais óbvia, é a crise. O vinho não é uma bebida barata e os impostos e alta do dólar tem tornado alguns rótulos impraticáveis para o dia-a-dia.
A segunda é a falta de cultura do brasileiro em tomar vinho, explicada também pelo fato do país ser muito novo na produção da bebida.
E a terceira, mais delicada, é o crescimento do mercado de cerveja. Entenda, há bebedores somente de vinhos e há bebedores somente de cerveja. Mas além desses dois públicos, há pessoas que gostam de tomar boas bebidas em momentos diferentes. A questão é que antigamente, a cerveja era considerada somente uma bebida de farra, de beber em churrascos, com amigos. Já para comemorações e momentos românticos, o escolhido sempre era o vinho.
A questão é que o mercado de cerveja evoluiu, se modernizou, entendeu diferentes públicos e hoje a cerveja é considerada uma bebida para todos os momentos, desde o churrascão depois do futebol até a bebida oficial de um casamento ou de um encontro de amigas.
O vinho sempre teve dificuldades de fazer isso. Sua posição para comemorações especiais estava garantida, mas a bebida nunca conseguiu realmente posicionar-se como algo para qualquer hora.
Isso só ajuda a fortalecer os estereótipos das duas bebidas (e como diz a incrível escritora Chimamanda Ngozi Adichie, o problema com os estereótipos não é que eles são sempre incorretos, mas sim, incompletos), que o vinho é algo sofisticado, clássico e mais excludente, enquanto a cerveja é mais divertida, aberta e próxima.
Pensando nestes dois estereótipos, dá pra entender qual bebida que os jovens tem mais afinidade, certo?

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Eu, pessoalmente, bebo mais vinho. Não entendo nada sobre cerveja, mas adoro tomar uma de vez em sempre.
Mas entendo de verdade amigos que se afastaram do vinho por ele estar sempre ligado à nomes difíceis, enochatos e uma presunção elitista.
O que Susana Balbo está fazendo com a linha Crios é exatamente o contrário. Ela está tornando o vinho mais fácil, mais divertido, mais conectado com os jovens, mantendo a qualidade do mesmo lá no alto, porque se engana quem pensa que jovem toma qualquer coisa.

Essa nova estratégia de Marketing e posicionamento da marca vem da filha de Susana, Ana Lovaglio Balbo, que cuida de toda a comunicação da marca e que criou essa nova abordagem.

Pra quem já conhece o Crios antigo, não foi só o rótulo que mudou. A composição dos vinhos também passou por algumas atualizações.
Hoje, a linha Crios conta com nove vinhos: Torrontés, Rosé de Malbec, Malbec, Cabernet Sauvignon, Red Blend, Chardonnay, Syrah-Bonarda e Limited Edition.
Todos eles trazem algumas novidades nos rótulos para facilitar a vida de quem está buscando o vinho na prateleira, como notas de degustação, harmonização e uma breve descrição do vinho.
Além disso, cada vinho tem uma mensagem inspiradora, pensando que entre os 20 e 30 anos, idade do público alvo do Crios, é uma fase em que os jovens precisam tomar muitas decisões importantes.

crios
A nova cara da linha Crios

O Torrontés, por exemplo, traz a mensagem “Quebre as regras”, o que é quase que um mantra para Susana Balbo. Ela foi a primeira mulher enóloga na região de Mendoza e também a pioneira no desenvolvimento da uva Torrontés.
Este vinho, com o preço de R$ 57, é um Torrontés de altíssima qualidade, fresco, delicado e com elegantes notas de flores brancas.
Se você nunca tomou Torrontés, comece por este aqui. É muito bom!


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crios torrontes 2013

Pensando no conceito de quebrar as regras e no que eu comentei lá em cima do “suposto bar de caipirinhas”, por que não usar o vinho como ingrediente de coquetéis?
O Crios mostra que é um vinho excelente para ser tomado puro, como vinho, mas também pode ser usado como você quiser. E os drinques, by the way, estavam ótimos.

Outro que eu gosto muito é o Rosé de Malbec, que tem como lema “Um Olhar Diferente” e traz a uva Malbec, conhecida pela sua potência, de forma mais leve e fresca.

Pra vocês entenderem melhor o novo conceito do Crios, assistam a este vídeo feito pela marca, que eu achei sensacional:

É claro que a Susana Balbo também tem outras linhas de vinhos, voltadas para o público mais tradicional. Eu degustei sete desses vinhos no evento, e se puder dar duas indicações pra vocês, diria para provarem o quanto antes o Susana Balbo Signature Rosé, certamente um dos melhores rosés que eu já tomei.
O vinho, que custará cerca de R$ 189 e chegará ao Brasil em uns 90 dias, é extremamente delicado, feminino e elegante. Ele possui um bom corpo, com notas florais super presentes e exala sedução.
É aquele vinho para o primeiro encontro ou para uma noite beeeem especial.

susana balbo signature
Susana Balbo Signature Rosé: certamente o melhor vinho da noite!

Outro que me deixou apaixonada foi o Susana Balbo Brioso, este indicado para uma celebração ou momento super especial.
Custando cerca de R$ 300, o vinho segue o estilo francês e é muito macio, com taninos finos, elegante e com aromas de boca complexos. Perfeito para carne suína.

susana balbo brioso
O Brioso na taça!

Ah! E antes que alguém diga que isso é um publipost, não é não.
É que eu realmente fiquei encantada com a história inspiradora da Susana Balbo e a sua coragem de fazer vinhos tão inovadores, posicionados para um público diferente.
Eu me identifiquei e quis trazer essa novidade pra vocês. Podem comprar os vinhos dela que não terá erro!

Veja como comprar os vinhos citados nesta matéria no site da Cantu: https://www.cantuimportadora.com.br/

Conte aqui nos comentários o que você achou da nova linha Crios.

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