Meu Jantar no Novíssimo Quartiere Cantina, em Perdizes

Alguns críticos gastronômicos e blogueiros de comida pregam que você deve visitar um restaurante três vezes antes de falar dele, para verificar a regularidade. Eu discordo. Com a concorrência altíssima e a exigência dos clientes, apenas uma visita é suficiente para ganhar ou perder um cliente.
E também não tem essa de sorte ou de azar não, de um cozinheiro medíocre estar inspirado no dia e fazer um prato esplendoroso ou de um excelente cozinheiro estar em um dia ruim e fazer um prato horroroso. Cozinha é técnica e em um dia bom, um cozinheiro medíocre vai fazer uma comida boa e um excelente vai fazer uma comida ok, nada mais ou menos que isso.

Outra coisa que rola por aí é de esperar uns meses depois da abertura para visitar o lugar. Ué, mas se está aberto, não é de se esperar que a equipe esteja pronta para receber os clientes?
Entendo que abertura de restaurante é um processo complicado e sempre apresenta alguns problemas, mas esses devem ser pequenos ajustes e principalmente nessa fase, a equipe deve estar atenta às impressões dos clientes.

Dito tudo isso, ontem fomos conhecer o Quartiere Cantina, que abriu há um mês, no mesmo ponto onde antes ficava o peruano Killa, em Perdizes (ou Pompéia, tá ali no meio termo).

quartiere della pasta
A frente do Quartiere Cantina

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O restaurante estava em um “soft opening” que acabava ontem e com uma promoção no Facebook de “Compre um prato e ganhe o outro”. Fomos conferir nesse esquema.

Quando chegamos, fomos bem recebidos pelo manobrista na porta e pela hostess, que nos indicou uma mesa confortável e nos deixou bem à vontade.
Eu achei o ambiente bem agradável, com um decoração simples e bonita e mesas confortáveis, com um bom tamanho e bom espaço entre elas, sem ter aquele climão bagunçado de cantina, mas também sem ser sofisticado.
Os garçons, com um simpático uniforme com boina e suspensório, foram educados, profissionais e ágeis. Não tivemos nenhuma reclamação quanto ao serviço.

quartiere pizzaria
Ambiente agradável do Quartiere Cantina

A noite começou bem, e estávamos curiosos e famintos pela comida.

Pedimos, de entrada, o Steak Tartare di Manzo (R$29), na descrição do cardápio, “filet mignon cru picadinho, bem temperado com mostarda, e gema de ovo. acompanha batatas rústicas.”
O prato chegou rápido e o Thiago já não gostou muito da apresentação, achou descuidada.
Antes de fazer a foto, já peguei uma batatinha para provar e não rolou. A batata estava molenga, oleosa, mal feita. Parecendo batata frita do Brazeiro, aqui na Vila Mariana (quem conhece sabe. Adoro o frango do Brazeiro, mas a batata frita deles é deplorável!).

steak tartar
Steak Tartar do Quartiere

A carne estava como deve ser, bem picada na faca e não moída, mas infelizmente estava tão carregada de temperos que não dava para sentir o sabor da carne. Sim, eu sei que um bom steak tartar requer uma boa mostarda, bons temperos, mas tem que haver um equilíbrio para que se sinta o sabor do ingrediente principal, que é a carne.

De acompanhamento também veio uma saladinha de rúcula e cebola roxa, colocadas de forma bem “de qualquer jeito” no prato…

Enfim, o Steak Tartar estava ok, melhor do que muitos que já comi em SP (aliás, onde vocês tem comido Steak Tartar bom? Porque bom de verdade até agora eu só consegui comer em casa), não estava ruim, mas não é uma entrada que eu pediria novamente ou recomendaria a vocês pedirem. Ainda precisa de ajustes, muitos ajustes.

Para o principal, eu pedi um Risotto de Ossobuco (R$ 49), descrição no cardápio: “risotto de arborio al dente, açafrão, ragu de ossobuco e especiarias” e o Thiago foi de Agnelo (R$ 49), “paleta de cordeiro desossada, assada por 8 horas no próprio molho e hortelã, acompanham fidelini e legumes salteados”.

Assim que chegaram os pratos, a gente já sabia quem tinha se dado bem e quem tinha se dado mal. Eu sorri, o Thiago quase chorou.

Começando pelo lado bom, o meu Risotto de Ossobuco estava gostoso. Não ótimo, mas gostoso. O arroz estava cozido no ponto, o ossobuco estava bem macio e era possível sentir o gosto do açafrão. Achamos que faltava um pouquinho de sal, mas nada que comprometesse o resultado final. Mas infelizmente, o Thiago pegou uns pedaços de cartilagem no ossobuco… Nem sei o que dizer!

risoto de ossobuco
Risotto de Ossobuco do Quartiere: Bom, mas não excelente

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O prato do Thiago, veja bem, parecia prato de cruzeiro (quem já fez um cruzeiro sabe que apesar de em alguns deles, a comida ser boa, não é a mais cuidada e com a melhor apresentação do mundo).
O prato dele foi um desastre.

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Pra começar, o cordeiro vinha com bastante molho de… funghi! Vocês lembram onde estava escrito funghi no cardápio? Nem eu! E o hortelã passou longe…
Aí, o primeiro pedaço que ele foi comer do cordeiro assado por oito horas, estava seco, esturricado, super duro. Pensamos em devolver, mas sinceramente, ficamos com preguiça (já falei isso aqui no blog antes: sei que como cliente eu tenho o direito e dever de devolver um prato ruim, mas porque a responsabilidade não é do restaurante em cuidar melhor do processo para acertar de primeira?).
O segundo pedaço estava melhor, não desmanchava, mas estava macio.
Os acompanhamentos também fizeram ele sofrer: o fidelini estava frio e os legumes tinham sido tão cozidos, que estavam molengas. Erraram feio.

cordeiro
Cordeiro do Quartiere: parece prato servido em cruzeiro

Para a sobremesa, pedimos um Tiramisú (R$ 15). A descrição: “clássica sobremesa de café, biscotti, creme fresca, nozes, cacau em pó e licor tia maria”.
Quando chegou, novamente a cara do prato já deu a dica do que estava a vir. Não estava bom.

tiramisu
Tá bonito não, migo!

Pra começar, estava quente. Parecia que ele não havia sido refrigerado, ou que tinha sido tirado da geladeira há muito tempo e deixado na cozinha. Ontem fez um dia muito quente em SP, então o tiramisú não estava gelado quando chegou a mesa, e por isso, sem consistência, meio molenga.
O café também passou longe, não dava para sentir nem uma lembrança do gosto. Não rolou, de novo.

Pedimos a conta e fomos embora sem que ninguém da equipe (garçom, gerente, hostess) nos perguntasse como foi o jantar e se os pratos estavam bons. Fazer soft opening e não perguntar a opinião dos clientes lá, na hora, é perder uma excelente oportunidade de melhorar a experiência, não é mesmo?

Quartiere Cantina (https://www.facebook.com/quartiererestaurante/)
Rua Padre Chico, 324 – Vila Pompéia – SP – (11) 2924-1159 – Estação de trem mais próxima: Água Branca (1,3km)
Segunda a quinta, das 19h às 23h30; sexta das 19h a 0h; sábados, das 12h às 17h e das 19h à 0h e domingos, das 12h às 17h.
Gastamos R$ 125,35 com três águas, uma entrada, um prato (o outro não foi cobrado pela promoção), uma sobremesa e serviço. Sem a promoção, teríamos gasto R$ 174,35. No!

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