Lamen Açu: Casa Japonesa com Toque de Amazônia

Os lamens finalmente caíram no gosto do paulistano. Se há cinco anos você quase não ouvia falar do prato fora da comunidade japonesa, agora é só abrir o Instagram ou integrar qualquer rodinha de foodies para ouvir opiniões diversas sobre os melhores lamens da cidade.

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As opções são muitas e finalmente são encontradas também fora da Liberdade, antes reduto quase que exclusivo das casas de lamen.

Ontem, resolvemos testar uma dessas casas de lamen. Escolhemos uma menos conhecida, pequena, na Praça da Árvore, o Lamen Açu.
Alguém da família já tinha provado o lamen de lá e disse que valia a pena. Fomos testar com nosso próprio paladar.
lamen açu
O nome, meio incomum para uma casa de lamen, mostra a origem do proprietário, que é paraense. Açu em tupi é um adjetivo que significa grande e sempre está junto com outra palavra: jacaré açu, Itajaí açú, lamen açu…
A herança paraense pode ser percebida também no cardápio da casa, já que eles usam jambu em alguns preparos, tem um Amazon lamen como opção de principal, com jambu e tucupi e também sorvete de açaí com tapioca. Inusitado, mas como sempre, ficamos nos clássicos nesta primeira visita.

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O Lamen Açu fica em uma rua de perfil bastante comercial durante o dia, mas sem muito movimento à noite, em uma área que dificilmente você imaginaria um restaurante.
A casa é simples, mas com o ambiente limpo, cuidado e bastante agradável, com mesas comunitárias e lugares no balcão.

lamen açu
Salão do Lamen Açu: simples e agradável

No cardápio, as estrelas são os lamens, obviamente, mas também há a opção de teishokus no almoço e algumas entradinhas.

lamen açu cardapio
Cardápio do Lamen Açu

O serviço, apesar de simpático e rápido, é bastante confuso. Mesmo com o movimento tranquilo, os dois chás que pedimos no começo da refeição nunca foram servidos, mas mesmo assim figuravam na conta.
Uma entrada errada também foi trazida à mesa. Coisas típicas de falta de atenção da equipe, que paradoxalmente, acontecem mais em dias de pouco movimento.

Para começar, pedimos o Nasu Dengaku Jambu (R$ 16), berinjela grelhada com missô, carne suína, negui, shoga e jambu.
Um pequeno prato de berinjela grelhada chega à mesa com uma mistura de carne suína moída com missô, com cebolinha e jambu por cima e bastante gengibre ralado ao lado.
Essa entrada estava deliciosa. Berinjela macia e suculenta e o missô bem marcado na carne suína, com sabores intensos e muito saborosos. Pena que o jambu vinha em tão pouca quantidade, que se perdia nos sabores fortes do gengibre e do missô.

berinjela
Mais gostosa do que fotogênica

Em seguida, fomos para os lamens.
Eu pedi o Shoyu Lamen (R$ 27), com moyashi, hakusai, negui, nori, ovo, lombo e caldo de frango com shoyu.
O Thiago foi de Misso Lamen (R$ 28), com repolho, negui, nori, ovo, lombo e caldo suíno com missô.

shoyu lamen
Shoyu lamen


Apesar da diferença dos caldos, ambos tinham sabores muito parecidos, as mesmas qualidades e os mesmos defeitos. Tanto que nós dois, que sempre comemos metade de cada prato e depois trocamos, ficamos com o prato original até o final, já que o gosto não mudava tanto.

O lamen, por essência, tem dois componentes principais que são a alma do prato e que definem se ele será bom ou não: o macarrão (men) e o caldo.
O tyashu também é importante, mas ele é secundário.

misso lamen
Misso lamen

No caso do Lamen Açu, ele tinha um elemento muito bom e outro mais ou menos, o que deixou o lamen desequilibrado, em nossa opinião.
O men estava muito bom: saboroso, com excelente consistência e na espessura certa.
Já o caldo decepcionou um pouco. Apesar de estar bem feito, sem estar gorduroso, ambos, tanto o de porco quanto o de frango tinham um sabor pouco concentrado, que deixava o men sem muito gosto. Era como tomar uma sopa que não “apurou”, um caldo com pouco sabor, que não cumpria a função de aromatizar os outros ingredientes.
O missô e o shoyu também estavam tão discretos que quase não se sentia o sabor. Conseguimos diferenciar os dois mais pela cor do caldo do que efetivamente pelo sabor.

O tyashu, em contrapartida, estava delicioso. Além de ser usado uma boa parte do lombo, ele estava bem cozido, macio, suculento e muito saboroso.

Finalizamos o nosso lamen, que a propósito tem um tamanho bem generoso, sem aquela sensação de carinho e acolhimento que essas comidinhas quentes geralmente dão.
Deu saudade dos caldos de lamen que tomamos no Japão!

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Pra finalizar, pedimos de sobremesa o Sorvete de Açaí com Tapioca (R$ 14), que o garçom nos assegurou que vinha diretamente do Pará.
A apresentação foi triste, em uma taça de acrílico e com duas colheres descartáveis de plástico, daquelas que quebram bem facilmente. Não me incomodo em comer em descartáveis, desde que estejam de acordo com a proposta do lugar. Mas aqui me incomodou sim, principalmente por ser um restaurante japonês, que preza pela apresentação e pelas louças em que são servidos os alimentos…

sorvete de açaí
Sorvete de açaí com tapioca: não gaste as calorias

Mas vamos ao sorvete.

Nunca fui para o Pará e só tomei o açaí original deles uma vez, com camarão seco, então não sei exatamente que gosto que deve ter o sorvete de açaí deles, mas não gostei do que comi no Lamen Açu.
Extremamente doce e só. Nada mais que isso. A tapioca também não agregava muito, mas essa é só a minha opinião.
Pode passar a sobremesa.

Fomos embora querendo mais e sem nos satisfazer pela febre dos lamens. Quem sabe teremos mais sorte na próxima vez.

Lamen Açu (http://www.lamenacu.com.br/)
Rua Guaraú, 120 – Praça da Árvore, SP – (11) 5589-9124 – Metrô mais próximo: Praça da Árvore (90 m).
Terça a domingo das 11h às 14h30 e das 18h às 21h30. Não funciona nos feriados e aos penúltimos domingos de cada mês.
Gastamos R$ 85 (os chás foram retirados da conta).

Deixe aqui nos comentários qual é o seu lamen preferido em São Paulo.

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4 comments

  • Acho que meu paladar deve estar alterado com obda Magali!!! Apesar de que comida varia um pouco de sabor conforme o dia do chef. Gosto do Lamen-açu! Primeiro fica o tradicional Kazu e para os meus filhos o Aska, o Momo e o Açu mais ou menos iguais. O Guiza do Momo é muito bom tbém , mas o do Aska e Kazu são igualmente bons! O único que não vamos voltar é o Tan Tan . O 2nd floor é bom mas ainda sim prefiro o Lamen Açu. Minha amiga Aaaaama o Tan Tan , então chego à conclusão que tudo é uma questão de gosto pessoal mas fico muito feliz com o aumento de opções de casas de lamens!!!! Muito bom no frio!

    • Oi Eli,

      Obrigada pelo comentário!

      Como te disse antes, o grande problema de muitos restaurantes de São Paulo é a falta de regularidade: em um dia se come bem, no outro mais ou menos. É isso que deve estar acontecendo com a gente.
      Proponho uma solução: vamos juntas na próxima?

      Um abraço

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