Jesuíno Brilhante: Comida Sertaneja de Raiz

Já falei algumas vezes aqui como é difícil achar bons restaurantes nordestinos em SP. Frequentemente, quando visito algum lugar novo de comida da terrinha, acabo achando muito melhor comer em casa, a comida típica feita com carinho pela minha mãe.

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Minha mãe é do litoral e o meu pai é do sertão. Passei minha infância viajando para esses lugares e provando as comidas simples de lá.
Por aqui, quando se encontra comida nordestina, invariavelmente será a comida do litoral. Comida sertaneja mesmo é dificílimo de encontrar.
E talvez porque ela não tenha um apelo comercial tão grande: por vezes é uma comida mais seca, bem rústica, sem nenhum refinamento. Mas os paladares apurados sabem o quão deliciosa ela pode ser.

Aí eu ouvi falar do Jesuíno Brilhante. Um lugar pequeno, simples, com comida sertaneja feita por uma família do Rio Grande do Norte. Tinha que conhecer.
Fomos em um sábado, já sabendo da possibilidade de fila e espera na porta, já que a casa é bem pequeninha, como dizia minha avó.

jesuíno brilhante
A casinha charmosa do Jesuíno Brilhante

O restaurante fica em Pinheiros, perto do metrô Clínicas, em uma rua majoritariamente residencial, com casinhas agradáveis e sem o buzz e o hype das ruas próximas daquela que leva o nome do bairro.
Aliás, a rua e o imóvel escolhidos combinam perfeitamente com a ideia do lugar.
É que o Jesuíno Brilhante fica em uma casinha pequena, daquelas antigas, cheias de charme.
Não fossem as pessoas sentadas na calçada tomando cerveja e as lousas com o cardápio, era fácil passar direto, pois ali parece mais a casinha bem cuidada de uns vovôs simpáticos do que um restaurante.

jesuíno brilhante o cangaceiro
A diversão já começa na calçada, onde você pode pedir bolinhos e cerveja

Chegamos e logo fomos atendidos, ali na calçada mesmo, por uma mulher bem atenciosa que nos informou o número de mesas na nossa frente, anotou nosso nome e nos deixou à vontade para petiscar alguma coisa. Eles deixam uns banquinhos de plástico à disposição pra você sentar ali, tomar uma cerveja e bater um papo enquanto aguarda uma mesa.

Pegamos o cardápio e ali começou a dificuldade de nossa tarefa. Eram tantos pratos apetitosos, alguns que me fizeram lembrar da infância e outros que despertaram a curiosidade, que ficou difícil escolher.

jesuíno brilhante filme
Lousa com as opções de comes

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Pedimos uma cerveja e para acompanhar, uma porção de Bolinho de feijão de corda com paçoca (R$ 14).

Antes mesmo dos bolinhos chegarem, nos ofereceram uma mesa coletiva, de quatro pessoas. Estávamos em dois e já tinham outras duas pessoas sentadas lá. Topamos na hora.

Você sobe umas escadinhas e tá dentro da casa, que me trouxe inúmeras memórias por causa de sua mobília e objetos.
Bainhas de faca de cangaceiros, chapéus de couro, fotografias em preto e branco, cadeiras de balanço de tiras de plástico, marmitas de alumínio e mais outros objetos que eu não via há bastante tempo.
O que é bem bacana do Jesuíno Brilhante é que você percebe que o ambiente não foi montado para seguir um conceito. Aqueles provavelmente eram objetos que estavam na casa do proprietário e ele só levou para o restaurante. Autêntico é a palavra.

jesuíno brilhante o cangaceiro romântico
Detalhes…

São poucas mesas em um ambiente apertadinho, mas bem agradável.
Quando sentamos, já percebemos que a predominância do sotaque ali era o nordestino, com suas diversas nuances. Assim como procuramos alguns restaurantes japoneses pela quantidade de nipônicos que ali comem, com nordestinos (ou com qualquer outra etnia) funciona da mesma maneira.

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Vendinha com produtos nordestinos

Chegaram nossos bolinhos. Crocantes, bem fritos, macios e molhadinhos por dentro, com o sabor pronunciado de feijão de corda. Pra acompanhar, um molho de pimenta industrializado (de uma empresa sergipana) e dois feitos na casa – um de pimenta de bode e o outro de pimenta fidalga (se não me engano), ambos potentes e deliciosos.
O bolinho, com um pouquinho dessas pimentas, ficava excelente. Perfeito pra comer sem pressa, papeando e tomando uma cerveja.
jesuíno brilhante o cangaceiro
Em seguida, escolhemos os pratos, em mais uma tarefa complicada.
O cardápio te dá a opção de montar o seu próprio bornal (a forma como o sertanejo chama a marmita que leva em uma bolsa de couro), escolhendo a sua mistura + dois acompanhamentos.

jesuíno brilhante restaurante
Cardápio cheio de delícias

O Thiago foi de Porco de Sol na chapa (R$ 25), acompanhado de arroz de leite e feijão de corda.
O porco de sol, que eu nunca tinha comido antes, estava absolutamente maravilhoso. Curado lá mesmo, a carne era macia, suculenta e com sal na medida certa. A melhor carne de sol que já comi em SP, sem sombra de dúvida.
Os acompanhamentos também estavam bons: eu não conhecia o arroz de leite, que é o arroz vermelho cozido no leite fresco com nata e queijo de coalho e achei interessantíssimo. É quase como uma papa de arroz super cremosa e bem gostosa.
O feijão de corda também estava gostoso. Nada de outro mundo, faltando um pouco de sal, mas gostoso.

jesuíno brilhante restaurante
Porco de sol: sensacional!

Eu quis saber qual era o guisado do dia, que muda diariamente, e me dei bem com a Carne bovina com maxixe e quiabo (R$ 20). 
Que carne e que tempero, senhores!
Esse guisado é aquele tipo de comida que pega você, põe no colo, faz carinho e diz que vai ficar tudo bem. Felicidade instantânea!
A carne estava bem macia (não sei que corte eles usaram, mas era um bem saboroso, talvez acém), com um molho bem grossinho e com sabor de especiarias. O cozimento foi tão longo que o maxixe e o quiabo quase derreteram, mas deram um gosto delicioso para o molho.
De acompanhamento, eu pedi cuscuz nordestino e macaxeira cozida.
Na hora que o meu prato chegou, tirei uma foto e mandei para o grupo de Whatsapp da família. A galera foi à loucura.

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Meu guisado: tô sonhando até agora

A macaxeira estava ótima. Era daquela “amarelinha”, bem macia, desmanchando. O cuscuz não me agradou muito, mas acho que é pelo fato de eu estar acostumada a comer esse mesmo cuscuz de milho de outra maneira. Na minha casa, sempre comemos quente. Aqui ele foi servido gelado e sem sal. Da próxima vez preciso lembrar de pedir a farofa no lugar.

A comida estava ótima e fiquei pensando em todos os amigos e familiares nordestinos e sertanejos que quero levar lá.

Neste ponto, já estávamos curtindo a música, um excelente forró e fazendo amizade com o pessoal da mesa coletiva. Lugares bons tem esse efeito nas pessoas.

Pra terminar, não podia faltar a sobremesa. Pedimos a Burra Preta, pão de melado de cana com especiarias, servido embebido em café com nata fresca e melado (R$ 10).
Não conhecia a sobremesa e nunca tinha provado nada parecido, mas foi uma das melhores sobremesas que comi em restaurantes nos últimos tempos.
Lendo a quantidade de melado que vai, você pode pensar que é super doce, enjoativo, demais. Mas não é. O pão é macio e a doçura é quebrada pelo amargor do café e untuosidade da nata. Não vá lá pra comer só a sobremesa, já que tudo é bem gostoso, mas não perca a Burra Preta por nada.

jesuíno brilhante o cangaceiro romântico
Burra Preta: uma das melhores sobremesas dos últimos tempos

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Só não curtimos muito o café da casa, ácido demais. Tomando com a sobremesa rolou, mas sozinho não agradou.

Voltando ao ponto da felicidade que lugares assim trazem, pode ir tranquilo: uma comidinha boa, precinho camarada, cerveja gelada e um papo com seu João Batista é o que você precisa para um almoço bacana!

Em tempo: a casa também prepara carne de sol sob encomenda, pra você fazer em casa. Custa em média R$ 65 o quilo e os pedidos precisam ser feitos com dois dias de antecedência.
Já sabem qual será o menu do próximo jantar aqui em casa!

jesuíno brilhante restaurante
Fica a dica!

Jesuíno Brilhante (https://www.instagram.com/jesuinobrilhante/)
Rua Arruda Alvim, 180 – Pinheiros – SP – (11) 2649-3612 – Metrô mais próximo: Sumaré ou Clínicas (500m)
Segunda a sábado, das 12h às 15h.
Gastamos R$ 102 e comemos muito bem!

Já foi no Jesuíno Brilhante? Tem outros restaurantes nordestinos pra indicar? Deixe seus comentários abaixo.

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