Hirota Food Express: Será Mesmo um Konbini Japonês?

Parece que o conceito “express” chegou, finalmente, pra ficar.
Grandes redes de supermercado fazendo lojas menores, mais acessíveis e mais perto do consumidor final, lanchonetes apostando no conceito “grab-and-go” e até espaços vendendo comidas prontas para serem consumidas ali mesmo, rapidinho, sem frufrus.

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Pra mim, esse conceito demorou bastante pra chegar aqui. Afinal, todo mundo vive correndo e muitas vezes só quer entrar em um lugar que resolva a vida. Sem corredores intermináveis, sem todos os produtos do mundo. É o pão que falta para amanhã, o sanduíche que mata a fome na hora do almoço, o almoço rápido entre reuniões.

Na Europa e nos Estados Unidos, essa ideia do “grab-and-go“, literalmente pegar-e-levar, é bem desenvolvida e você pode comer super bem neste esquema, em redes como a inglesa Prêt ou a francesa Cojean.

No Japão, onde estive em 2015 e onde a vida parece ser ainda mais corrida, os konbinis são verdadeiras instituições no país todo. O konbini nada mais é que uma loja de conveniência que você encontra desde produtos de higiene pessoal, cartões de memória e até comida boa, pra comer na hora, ali mesmo, ou sentado no trem.
Como a maioria das coisas no Japão, o padrão de qualidade dos produtos é bem alto, e mesmo em konbinis, você vai encontrar bentôs, oniguiris e outros pratos gostosos de verdade, daquele que dá vontade de comer de novo.

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Aqui no Brasil, a ideia de comer em uma loja de conveniência de um posto de gasolina, por exemplo, pode ser repugnante para muitos. E, em muitas vezes, é mesmo. Por emergência, já tive que comprar comida (que se restringe a salgados) nesses lugares e preferi ir de barra de chocolate ou uma porcaria industrializada qualquer do que me aventurar em uma coxinha suspeita.

Por aqui, o que mais se assemelha a um konbini são os mercadinhos e lojas da Liberdade que vendem bentô. Não é exatamente o mesmo conceito, mas é o mais parecido.

Eis que então, o Hirota, rede de supermercados com DNA japonês, resolveu entrar na onda do “express” e fazer o que eles auto-intitulam “o primeiro konbini brasileiro”.
Com duas lojas em São Paulo, uma na Avenida Paulista e outra no Shopping Eldorado, as chamadas Hirota Food Express, o mercado tem feito certo barulho nas redes. Logo, decidimos ir conhecer (depois dessa longuíssima introdução).

hirota food express
Escolhemos o Hirota Food Express da Paulista, que fica no lugar onde antes era a locadora 2001. Lemos pela internet que dependendo do horário, não havia mais bentôs disponíveis. Ligamos e o atendente nos garantiu que teria bentôs até a hora do fechamento, às 22h.

Chegamos lá por volta das 21h.
A loja é bem bonitinha e parece que foi investido um bom dinheiro em comunicação visual. Desde o letreiro, a arquitetura das lojas, até as sacolas de papel, tá tudo bem resolvido. Parece uma loja de conveniência com mais coisa, bem completa.

hirota food express
Detalhe da loja

A loja em si é um mini mercado, com vários produtos importados e japoneses e alguns brasileiros. No fundo, uma prateleira inteira da Daiso, aquela loja de tranqueirinhas japonesas que todo mundo ama.

daiso brasil
Corredor da Daiso dentro da loja

O mix, em geral, me pareceu bem interessante para quem está passando e quer matar a fome rapidamente com algo diferente e gostoso.

hirota food express
A loja vista da entrada

O que diferencia a loja de um mini mercado comum é a existência e a variedade de comidas prontas para serem consumidas ali mesmo, ou levadas pra casa.

hirota food express franquia
Dá pra esquentar sua comida lá mesmo

Você pega a sua comida, paga, se precisar esquentar, tem alguns microondas à disposição, senta e come lá. O espaço para comer é bem apertado e me parece que fica bem cheio na hora do almoço, por exemplo.

Hirota Food Express - Microondas - Magali Viajante
Os microondas ficam à disposição do cliente

Logo na entrada, um café com alguns salgados, café e sorvete soft cream de máquina. Uma opção pra quem só quer tapear a fome.

hirota food express
A vitrine de salgados, logo na entrada da loja

Do lado esquerdo, está a grande geladeira de comida, o nosso foco para este post.
Apesar de faltar apenas uma hora para o fechamento, o atendente tinha razão, pois a quantidade e a variedade de pratos ali dispostos ainda era grande.
O forte são os bentôs e especialidades japonesas: tem sushi, temaki, shimeji e sunomono, mas também tem opções de sanduíches e saladas, comida tex-mex e até alguns pratos brasileiros, caso do estrogonofe de carne ou escondidinho de carne seca.

hirota food express franquia
Geladeira bem abastecida, mesmo às 21h

Também há uma grande variedade de bebidas geladas, inclusive alcoolicas, mas no entanto, não encontramos uma marca de cerveja japonesa.

hirota food express
Geladeira de bebidas

Várias sobremesas também estão à disposição, mas nenhuma de inspiração japonesa. Tem tiramisù, mousse de limão, brigadeiro, donut e frutas em porções individuais.

Dependendo do horário, conforme a validade dos produtos vendidos vai chegando ao final, há etiquetas de desconto nos bentôs, sushis e pratos. Assim, você paga bem mais barato em um prato que ainda ~supostamente~está em condições perfeitas, mas não poderá ser consumido no dia seguinte. Ideia muito boa se bem executada.

A nossa ideia era jantar a comida de lá e estávamos com muita fome.
Escolhemos então um bentô de karaague, um tipo de frango frito (R$ 21,98) e uma bandejinha com niguiris de salmão e makimonos de pepino, salmão e salmão com cream cheese, essa última com 60% de desconto. Saiu por R$ 7,60, mas o preço original era R$ 19.
Completamos a compra com um Tiramisù (R$ 6,50) e uma coxinha (R$ 4,99) pra comer na hora, porque como decidimos comer em casa, não aguentaríamos de fome até chegar.
A maioria dos itens é de produção própria, como os pratos japoneses e os da linha Yurban.
Pagamos e não achamos nada barato, mas resolvemos provar antes de tirar conclusões.

Comemos a coxinha na hora, ainda na loja. A atendente retirou-a da estufa e esquentou no microondas. Ela estava fresca e não era das piores que eu já comi, mas estava longe, muito longe de ser boa.

Hirota Food Express - Coxinha - Magali Viajante
A coxinha do Hirota

O primeiro problema é treinamento de processos. A atendente, depois de esquentar a coxinha, enrolou-a em um guardanapo muito fino, que grudou no fundo da coxinha, nos dando a opção de jogar aquela parte fora ou de comer papel. Deixo vocês imaginarem qual o Thiago escolheu.
A base da coxinha, que ficou encostada no microondas, endureceu demais, tornando-se super desagradável na boca.
Depois, vem a questão de sabor mesmo. A coxinha tinha pouco recheio para muita massa e não tinha gosto de nada.
Dava pra comer, mas não alegrava.

Hirota Food Express - Coxinha mordida - Magali Viajante
E a mesma coxinha, meio comida. Pouco recheio pra muita massa.

Chegamos em casa e fomos finalmente jantar.
Pra abrir os bentôs já foi um esforço: a etiqueta de papel que eles usam gruda completamente na embalagem, nos hashis e no pacotinho de shoyu que eles mandam. Eu sei que isso pode parecer preciosismo da minha parte, mas não é. Japoneses sabem e se orgulham da qualidade de suas embalagens e pacotes, imagine tentar abrir isso sem fazer alarde no meio de uma reunião?

A comida tinha uma boa aparência e a bandejinha em que vem é muito bonita. Vamos provar.

Hirota Food Express - Comida - Magali Viajante
Nosso jantar completo

Comecemos pelo sushi, que foi o maior desastre da noite.
Acreditem, eu já comi muito arroz de sushi ruim nesta vida, mas nunca comi um arroz tão ruim quanto o daqui.
Pra começar, não sei nem se posso chamar aquilo de arroz, pois era uma massa compactada com tanta força, que era impossível ver os grãos de arroz, tudo não passava de uma maçaroca branca.
Se a textura foi desastrosa, o gosto também não ajudou. Resolvemos tirar as fatias de salmão de cima e jogar o bolinho de arroz fora (veja bem, eu jogando comida fora. Sentiu o drama, né?)
O salmão também não rolou. É óbvio que eu não esperava que fosse o melhor corte e o melhor peixe do mundo, mas ao menos algum respeito com o ingrediente e com o cliente eu esperei encontrar.
O peixe tinha um corte serrilhado e estava começando a congelar nas pontas. Imagina comer um salmão molinho em cima e duro, meio chicletinho nas extremidades. Não é legal, né?
Os enrolados seguiam o mesmo padrão do arroz e do peixe. Comemos alguns, simplesmente pra não jogar fora e o restante foi direto pro lixo.
Já fiquei brava tendo pago apenas uma parte do preço, imagina se tivesse pago o preço cheio?

Hirota Food Express - Sushi - Magali Viajante
Nosso sushi: o maior desastre da noite

E antes que alguém me fale que eu escolhi comprar um produto com desconto, perto da validade, entendo que o estabelecimento tem o dever de me oferecer um produto em condições perfeitas de consumo, com desconto ou sem. Se não estiver perfeito, não venda. A decisão de vender com desconto pra não ter prejuízo maior é do estabelecimento, mas não justifica vender algo fora do padrão para o cliente. Tô certa ou não?

Fomos para o bentô de karaague, pra ver se tínhamos mais sorte. Ele tinha, além do frango, bastante arroz, uma fatia de tamagoyaki (omelete japonês), kamaboko (uma massa de peixe), salada de pepino, berinjela e alguns legumes refogados.
O arroz, aqui, também não rolou. Não era tão ruim quanto o do sushi, mas estava bem esmagadinho e meio seco.
O frango estava ok, mas não tinha nenhum tempero, nem sal, a mesma coisa com o tamagoyaki. Mas visto o contexto, eles se salvavam bem.
Pepino e berinjela também ok, mas a última, uma das minhas coisas preferidas de um bentô, fazia a boca coçar um pouco no final, igual quando você usa berinjela comum e não deixa na salmoura, sabe?
Legumes refogados devem ter sido refogados tão rapidamente, mas tão rapidamente, que eu comi pimentões crus.
Eu não entendo muito de kamaboko, mas ele tinha gosto de papelão e o Thiago disse que era de má qualidade.
Enfim, deu pra comer o bentô, mas sem nenhum prazer. Comer somente por comer, pra não jogar fora. Triste.

Hirota Food Express - Bentô - Magali Viajante
Bentô do Hirota: dá pra comer

Pra finalizar, fomos para o Tiramisù, que surpreendentemente, foi a melhor coisa da noite. Quando eu digo isso, não vá esperando um belo de um tiramisù, mas ele estava decente.
Tinha gosto de café, creme estava ok, não era carregado no açúcar e resolvia a vontade de comer doce. Nada memorável, mas ok.

Hirota Food Express - Tiramisu - Magali Viajante
Tiramisù: a única salvação

O nosso jantar com a comida do Hirota Food Express foi, enfim, um desastre total.

Gastando apenas 1 real a mais, você pode comer o bentô de karaague no Mini Mercado Izumi, que é bom pra caramba e que te deixará muito mais feliz!

+ Conheça o bentô maravilhoso do Mini Mercado Izumi +

Pra finalizar, os konbinis que eu fui no Japão, mesmo o mais simples, estavam a anos-luz do Hirota.
Então, não me venha com essa de konbini brasileiro. Ainda tem que comer muito arroz com feijão ou gohan com karaague pra chegar lá.

Hirota Food Express (http://www.hirotafoodexpress.com.br/)
Avenida Paulista, 726 – Bela Vista – SP – (11) 3262-0622 – Metrô mais próximo: Brigadeiro (250m)
Segunda a sábado, das 7h às 22h; domingos e feriados, das 12h às 20h.
Gastamos R$ 41,07 com um bentô, um combinado de sushi (com desconto), uma coxinha e uma sobremesa.

E você, o que achou da ideia e da comida do Hirota? Deixe sua opinião aqui nos comentários.

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3 comments

  • Carinho pra ser tao ruim…

    acho que nao tinha batians fazendo esse obento como na rotisseria Marines, acho que vc podia dar uma passada lá.

    mas já é uma evoluçao um Kombini na paulista, torço para que consigam melhorar a qualidade.

    abs!

    • Oi, Renato,

      Concordo com você, é uma evolução, mas ainda tem um caminho longo até que a comida deles fique boa.
      O meu marido conhece a Marinês, mas não vai lá há anos. Vou ver se passamos lá um dia desses e eu te conto o que achei.

      Um abraço

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