Fisherman's Table, o lugar onde a mistureba funciona!

Sei que vocês não são tão velhos assim, mas devem se lembrar de uma época em que estava na moda a “fusion food”. Para quem não se lembra bem, explico o que era: o chef ia lá e misturava um montão de influências gastronômicas diferentes (comida italiana + macrobiótica + tailandesa, por exemplo) em um só cardápio, ou às vezes em um mesmo prato. O resultado, na maioria das vezes, era uma lambança tão grande, que você não conseguia identificar influência e nem sabor nenhum, e acabava comendo uma gororoba contemporânea, visualmente bonita, mas não palatável na maioria das vezes! Na minha opinião, gente que não sabe cozinhar direito adora fazer coisa complexa, diferentona, cheia de frufru, que sempre acaba com gosto de cocô, pronto falei!

Graças a Deus o tempo passou (e junto com a fusion food, também se foram as calças baggy, ombreiras, cabelo mullet e tantas outras coisas horrendas. RIP tênis de salto!) e os chefs começaram a valorizar muito mais o ingrediente por ele mesmo, e a simplificar os pratos, tornando cada ingrediente reconhecível pelo seu sabor e textura, sem precisar de tantos temperos ou técnicas complicadas para mascarar o sabor e a inabilidade…

Eis que tem um restaurante no Itaim que eu adoro, que adora uma mistureba! Mas a mistureba deles dá certo, juro! O Fisherman’s Table é dos mesmos proprietários do Butcher’s Market, que é outra maravilha! Os donos são coreanos, e fazem um menu predominantemente de frutos do mar (daí o nome), com toques coreanos, japoneses, mexicanos e até ingleses (da última vez que eu fui comi um bom Fish and Chips lá). Porque eu acho que funciona: acho que eles tem bem definido quem são, o core business deles (alô ESPM), é serem coreanos, é terem sabores coreanos, e a partir daí, inclui um ingrediente japonês aqui, faz uma releitura de um prato mexicano acolá, mas sem perder a essência coreana! E funciona bem, viu?

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A começar pelo ambiente, que é A-M-A-Z-I-N-G! Me sinto em Nova York (minha nova obsessão!) todas as vezes que vou lá… tem letreiros de neon, tem mesa de madeira linda, tem tijolinho aparente, tem lampadinhas no teto, só não tem os coreanos bonitos e style de Nova York (ok! prefiro os japoneses, quer dizer, o meu japonês, mas confesso que acho os coreanos bem bonitos e estilosos). O legal de lá é que é cool o suficiente para ir com um grupo de amigos (e dar risada, falar besteira e tirar um monte de selfies) e romântico o suficiente para ir com o boy! Se quiser impressionar então, mostrando o quão cool e da moda você é…

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(Olha as luzinhas, criando um ambiente onírico e cool)

A comida é legal porque dá para dividir e provar um pouquinho de cada coisa… Sempre que vou lá, não peço um prato só para mim, o legal mesmo é pedir vários pratos e provar de tudo!

Da última vez que estive lá (sexta feira depois do rolezinho no shopping, rs!), começamos com um Spicy Tuna Tempura Roll. Ok, os rolls são um capítulo à parte! Novo parágrafo para eles…

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(Spicy Tuna Tempura Roll)

Sabe aquele roll japonês tradicional que você come na casa da sua obatian? Não tem nada a ver com esse! Sabe aquele hot roll cheio de molho tarê horroroso, que você come no rodizião pagando caro e se acha o máximo (tô me matando de rir aqui, lembrei do As mina pira do passarinho, sorry, piada interna!), também não tem nada a ver com este!
O roll daqui é grande mesmo (não dá para comer em uma bocada só), é cheio de ingredientes (abacate, camarão, atum, kani, pepino, maionese, ou seja, pegou tudo o que tinha na geladeira para não vencê, rs) e às vezes, vem até quente. Sei que vão ter umas pessoas chatas que vão perguntar: “Nossa, mas não é você que gosta de comida japonesa tradicional clássica e abomina as invencionices?” Antes de eu te atingir com o meu cotovelo pontudo treinado pelo Mestre Veras do Muay Thai, vou dizer que sim, gosto de comida clássica, mas aqui a proposta é outra… o restaurante não quer ser um japonês, ou fazer um roll japonês, e sim, entregar exatamente o que se propõe, uma comida diferente, com alguma inspiração japonesa… Então, se quiser provar, vá sem a expectativa de ter um roll como você conhece, mas prove, porque é bem gostoso!

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(Lousa com as sugestões do dia)

Depois, pedimos um Fish Ribs and Chips, traduzindo, Costelinha de Tambaqui servida com polenta frita, e um molhinho tártaro com azeitonas. Estava muito bom também! Não foi um prato assim, inesquecível, mas estava gostoso sim! O que mais gostei deste prato, além do molho, foi o sabor do peixe, marcante, gostoso! A polenta também estava boa, mas era apenas polenta.

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(Fish and Chips)

Também acho bacana que eles trazem à mesa já no começo da refeição quatro molhos para você usar com a sua comida: shoyu adormecido em alga marinha (foi exatamente este termo que a atendente usou, acredita?), shoyu com wasabi, shoyu apimentado e missô (pasta de soja fermentada). O meu preferido é o de missô, mas todos são bons.

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(Molhinhos delícia)

Eu ando meio de bode das sobremesas dos restaurantes… Tenho achado tudo meio parecido, sem graça, o que sempre me faz pular a sobremesa (e tentar pegar um sorvete do Frida e Mina), mas como lá tinha uma sobremesa diferente, resolvi tentar. Era um doce de abóbora crocante, com creme de mascarpone. Estava bem gostoso, mas sei lá, esperava mais! Mais gosto de especiarias, mais a pegada ousada do restaurante, não rolou! Também achei um pouco pequeno, mas vale a coragem de colocar uma tuile salgada, que eu acho que era feita de macarrão, em cima do doce. Achei legal!

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Voltando para os pratos, relembrando experiências passadas que eu tive neste lugar, prove o Fish Tacos (sensacional! maravilhoso! quero comer now!) e o Sanduíche de Lagosta, que também é saborosíssimo! Pensando na dificuldade de se encontrar lagosta aqui em SP e não deixar as calças no restaurante, vale este sanduba, bem recheado e com cara dos de Nova York (mais simples, é claro, mas super bom!) Pensando bem, já me arrependi de não ter pedido os Fish Tacos de novo!

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(Sanduba de lobster)

O que mais gostei de lá: Fish Tacos! Fish Tacos! Fish Tacos!
O que não gostei muito: da sobremesa de abóbora, faltou um tcham! Ah, no dia que eu fui, a máquina não estava aceitando cartão de débito…
Dica que vale ouro: Vá à noite… Realmente não tem cara de almoço!
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(Foto escura dos Fish Tacos)

Pensando na nova onda de comida de rua que vem por aí, agora que a lei foi sancionada, acho que o Fisherman’s Table tem uma super vocação para se transformar em food truck (eles me lembram os caras do Korilla, do Super Food Truck Race). Caso isso aconteça (vidente Milena), eu serei cliente sempre, com certeza!

Fisherman’s Table (https://www.facebook.com/fishermanstable) – O restaurante fechou as portas em abril de 2015.
Rua Pedroso Alvarenga, 554 – Itaim – 3167-3605
Segundas à sextas, das 12h às 15h e das 19h à 0h; sábados, das 12h à 0h e domingos, das 12h às 22h45.
Gastamos uns R$ 120 reais, com dois pratos, uma sobremesa e duas cocas. Carinho, né?

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(I love you with all my heart)

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