Filme Pegando Fogo: Assisto ou Não?

*Aviso: Contém spoilers!

Estreiou no final de novembro o filme Pegando Fogo (Burnt), sobre um chef de cozinha problemático decidido a conseguir as suas estrelas Michelin. Pegando Fogo é estrelado por Bradley Cooper e ajuda a “engrossar” a lista de filmes recentes que tem a comida como tema central. A comida e a cozinha viraram assuntos tão da moda, que só entre 2014 e o começo de 2015, eu assisti 4 filmes sobre o tema no cinema e sei que tiveram mais um ou dois que eu perdi. Se falarmos de programas de televisão, canais do YouTube e contas novas do Instagram sobre gastronomia, a conversa vai longe…

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Mas pra quem não vive da comida e tem a gastronomia como hobby, às vezes rola a dúvida na hora de assistir um filme deste tipo, se vale a pena ficar sentado duas horas para ver pratos e ingredientes e restaurantes…

E se você ainda está na dúvida se vai ou não assistir Pegando Fogo, eu fui e te dou 3 argumentos positivos e 3 negativos sobre o filme. Aí você decide.

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O que eu gostei muito no filme:

1. As cenas de empratamento

pegando fogo o filme
Créditos: Paris Filmes


Pra quem curte ver fotos lindas de comida nas mídias sociais e concorda que a estética é essencial em um prato, assista. O filme tem cenas lindas de empratamento e mostra cenas de comidas tão bonitas, pensadas e bem montadas, que te deixarão com muita fome, além de te inspirar para as suas próximas criações.

2. A realidade da cozinha é essa mesmo

Muita gente que viu o filme ficou meio chocada com o ambiente agressivo de uma cozinha e me perguntou: “É assim mesmo?” E eu respondo, na maioria das vezes, é sim!

A violência, a loucura, a agressividade, o ritmo acelerado, a pressão por prêmios, o uso de drogas, a possibilidade de sabotagem, o ego exacerbado, é tudo real! Claro que acontece em maior ou menor escala dependendo de onde você trabalha, mas em cozinhas da Europa e Ásia é muito comum (e eu discordo totalmente) ocorrer agressões físicas entre chefs e cozinheiros. Converse com alguém que trabalhou em um restaurante estrelado e você vai escutar histórias que vão te deixar de cabelo em pé.

Então pra quem acha que cozinhar é glamour, é tirar foto bonita pro Instagram e ter um programa na TV, balela. É trabalho braçal, pesado e perigoso em muitos sentidos.

3. O personagem principal é bem construído em vários aspectos

Enquanto o Adam Jones, personagem principal, vivido por Bradley Cooper está dentro da cozinha, ele é muito bem construído e retrata bem várias particularidades de cozinheiros em geral (quando a trama sai da cozinha as coisas ficam meio precárias, mas falo disso quando for explicar o que eu não gostei do filme).

A relação que ele tem com a comida, de amar os ingredientes acima de tudo, a ponto de quase endeusá-los, é bem bacana. Para quem vive e gosta deste mundo, a comida é o tema central e mais importante da vida e treinar até conseguir fazer o peixe perfeito, transformar um simples café da manhã em algo incrível ou reconhecer ingredientes e métodos de cocção simplesmente ao provar um prato são objetivos importantes a serem alcançados.

A questão das facas é outro ponto que me agradou muito. Facas são instrumentos de trabalho valiosíssimos para um cozinheiro e apesar de cada um ter suas preferências, todos tem um ponto em comum: não compartilham elas com ninguém.
A faca é importante para um cozinheiro assim como um instrumento musical para um músico ou um quadro para um colecionador de artes. Ao longo da vida, os cozinheiros vão fazendo seu “acervo” de facas, cada uma com uma função e uma história diferentes.
Ou seja, sabendo disso, você vai entender a importância da cena em que ele recebe as facas de um outro personagem, bem na metade do filme (explico isso porque pode passar batido por algumas pessoas).

A forma de pensamento não linear e pouco convencional também é um traço marcante de cozinheiros e artistas em geral. Eles não são consistentes, regulares, cartesianos.
A busca incessante pela perfeição deixa alguns cozinheiros até meio malucos e os altos e baixos na personalidade e comportamente são bem marcados na profissão, da forma como é apresentado pelo Adam Jones.

E o que eu não gostei muito:

1. A trama em geral é fraca e os outros personagens são rasos.

A parte boa do filme acontece dentro da cozinha. Fora dela, a trama é bem fraca, previsível e pode decepcionar um pouco.
Parece que falta vida também nos outros personagens, que são bem rasos e poderiam ser melhor explorados. A parte dramática da história poderia ser bem mais dramática e este filme poderia ser uma porrada, mas ele não passa de uma historinha de vida difícil e superação., quando está fora da cozinha..

2. Faltam algumas explicações para o público em geral

Quem não está familiarizado com os termos utilizados na cozinha e com acontecimentos deste mundo, pode se perder em algumas partes do filme.
Um dos eixos centrais do filme é a rixa que existe entre os cozinheiros old school, mais clássicos; e os mais modernos, que adoram sous vide por exemplo. Muita gente não sabe disso e por isso não entende uma das melhores cenas do filme pra mim, que é quando ele tenta se matar na máquina de sous vide…

3. New Orleans é apresentado como um inferno.

No começo do filme, como castigo auto-imposto, Adam Jones vai para New Orleans para abrir 1 milhão de ostras.
Da forma como a cidade é mostrada, parece que é um inferno e que só vai pra lá quem é bêbado, viciado ou não deu certo na vida.

Pena que eles não mostraram que New Orleans é uma das cidades com a gastronomia mais rica dos Estados Unidos e um dos lugares mais interessantes para se visitar na terra do Tio Sam.
(Coisa que o filme Chef fez bem…)

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No final, eu gostei sim do filme e tenho a impressão de que se ele tivesse sido mantido dentro da cozinha, ele seria um prato cheio!!!
(Desculpem pelas expressões manjadas, rs…)

Conta aqui pra mim nos comentários o que você achou do filme…

(Pegando Fogo ainda está em cartaz nas principais salas de cinema do Brasil.)

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