Especial Viagem: o que considerar ao agregar mais um destino em seu roteiro?

É isso aí, pessoal, de volta à labuta.
Estive 30 dias de férias maravilhosas entre Japão e Havaí e agora conto tuuuuuudo para vocês. Vão ser vários posts sobre o tema viagens, sobre os destinos que visitei, dicas, lugares para comer, o que fazer, como se comportar… Preparem-se, porque tem bastante coisa bacana que tenho certeza que irão gostar.

Como eu acho que férias poucas são bobagens, eu sempre tento tirar no mínimo 20 dias de férias. Sei que nem todo mundo pode fazer isso, e eu também nem sempre posso, mas se der para fazer de vez em quaaaaando (sei lá, uma vez a cada 3 ou 5 anos), vale a pena para conhecer aquele destino mais longe ou passar mais tempo fazendo o que você gosta (descansando, com a família, namorando, cozinhando, fazendo churrasco, lavando carro, sei lá, cada um gosta de uma coisa, né?)

Como eu e o maridones conseguimos 30 dias de férias, decidimos finalmente ir para um destino que estávamos há 8 anos planejando, mas ainda não tinha chegado o dinheiro a hora: o Japão!
Mas queríamos dar um twist e colocar mais alguma coisa com o Japão: talvez Austrália, Coréia, Tailândia… pesquisamos e decidimos pelo Havaí. E aí, todo mundo pergunta: mas porque você vai para o Havaí depois de ir para o Japão?
Mas será que vale a pena viajar para dois destinos em uma viagem só? 
Vale sim, digo por experiência própria e porque já fiz isso várias vezes. Mas tem que ser bem pensado e planejadinho, porque senão você só vai se cansar, ficar pulando de uma cidade – ou país – para outro, e não vai aproveitar nada de verdade.

IMG_2752Pensei então, quais são as 8 coisas indispensáveis para você considerar quando estiver pensando em incluir mais um destino na sua próxima viagem. E já dou um spoiler: Japão + Havaí é uma casadinha top demais! A fórmula funciona super bem!

À lista:
*Essa lista foi atualizada em 24/04, com duas novas dicas da amiga Rebecca Hiromi Teoi, que já viajou o mundo e passou aqui no Magali para deixar sua contribuição… Os motivos #7 e #8 foram escritos por ela e eu estou reproduzindo aqui no blog. Valey Beck!

1) Tempo

A primeira coisa e talvez a mais importante para se considerar ao decidir o destino de uma viagem (mesmo que seja somente um destino), é o tempo.
De nada adianta você ter 10 dias de férias e querer ir para o Japão, ou para a Austrália, ou ainda juntar Nova York e San Francisco na mesma viagem.
A coisa mais legal quando você viaja – principalmente quando é um lugar que você ainda não conhecia – é descobrir seus segredos e encantos aos poucos. É claro que você vai querer ir em todos os pontos turísticos e comer nos restaurantes mais famosos, não tem problema, mas faça isso sem pressa, alternando o super turístico com uma tarde apenas sentado em um café vendo o movimento, as roupas, os gestos, a vida dos locais. Ou passe a tarde inteira na praia tomando sol, lendo um livro. Ou encontre um amigo e perca o tempo conversando. Assista o por-do-sol. E o nascer do sol. Tire uns minutinhos para bater um papo com alguém que trabalha no hotel que você está hospedado. Descubra quais são os lugares que não são conhecidos – e mesmo assim, ou talvez por isso, são fantásticos!
Esse é o tipo de coisa que não dá para fazer se você viaja “around the clock”.
A sua vida já é baseada em horas, prazos e tempo apertado na sua rotina diária. Relaxe, você está de férias.

A minha recomendação se você for para um país distante como o Japão, é ficar ao menos 20 dias. Não só pelo tempo gasto (cerca de dois dias inteiros dentro de aviões e aeroportos), mas também porque este destino tem muita coisa para ver e fazer e em 20 dias – acredite – você irá fazer somente um pouquinho mais do que o básico.

Quando você ainda pensa em incluir mais um destino, aí o seu tempo de férias deve ser mais generoso ainda. Pesquise muito e pense em quanto tempo você precisa para realmente passear naquele lugar – 1 semana, 10 dias, 2 meses? E aí, avalie se vale incluir ou não.

Para mim, a conta mágica foi 20 dias no Japão + 1 semana em Oahu. Claro que se eu tivesse mais tempo, teria sido ainda melhor, mas o tempo foi suficiente para eu fazer o que era importante para mim. Acho adequado para os dois lugares.

Mas vai na minha, mesmo: não inclua um novo destino à sua viagem só para falar para os amigos que foi. O que vale é a experiência que você realmente teve no lugar, não a foto que você colocou no Instagram.

2) Distância

Um dos pontos que nos levou a escolher o Havaí para uma paradinha estratégica depois do Japão foi o curto tempo de voo até a ilha. E esse é um ponto que você deve considerar.
Não faria muito sentido ir do Japão para a Europa – por exemplo – e depois vir para o Brasil. Escolha um destino que fique perto, há poucas horas de voo e sem conexões, de preferência.
Outra dica muito legal é aproveitar para conhecer o seu local de conexão. Vamos supor que você vai até o Japão com conexão em Chicago, e tem interesse em conhecer a cidade. Por que não fazer um stopover na ida ou na volta e ficar uma semaninha para conhecer este novo destino? Além de prático – você já teria que ir até lá anyway – você ainda dá uma bela descansada de um voo longo, afinal 24 horas de voo não é brincadeira, né?

3) Quanto custa

O principal – principal mesmo, indispensável eu diria, que tornou o Havaí o nosso destino de escolha foi o preço.
Antes de pensar em ir para a ilha, tínhamos intenção em ir para a Austrália depois do Japão – acrescentar este trecho ficava caríssimo. Coréia – a mesma coisa. Aí lembramos que um amigo japonês uma vez disse que já tinha ido uma oito vezes para o Havaí, porque a passagem era barata.
Não deu outra, pesquisamos e esse trecho só encarecia 150 dólares do plano inicial. E não é bruxaria, é tecnologia. Nada de informação privilegiada, entrar mil vezes na barra incógnita às 4 da manhã, pedir pelamordedeus para o amigo que trabalha na companhia aérea por um desconto. No nosso caso, foi simples. Decolar.com (não é propaganda, mas poderia se eles quisessem…) e olha que tinham vários dias e horários disponíveis.
150 obamas. Só isso. Mesmo com o dólar a 3,40, que seja, sabe quando você vai pro Havaí por 500 contos? No dia de são nunca de tarde. E se você descobrir quando é esse dia, me conte, por favor.

A moral da história é: não baseie nada no achismo, pesquise e descubra quanto que custa de verdade. Eu também achava que deveria ser caríssimo ir para o Havaí depois do Japão, uma ideia megalomaníaca, mas que nada!

4) Possibilidade de voltar em breve

Eu sempre penso assim: “Quando que eu vou voltar para o continente asiático?”, ou “Quando eu vou ter a oportunidade de fazer isso de novo?”, se a resposta for “Não tão cedo quanto eu gostaria”, eu prefiro gastar um pouquinho mais e conhecer um lugar novo.
A menos que você seja rico ou sobrinho do Lemann, não dá para viajar para a Ásia todo ano. Eu sei que fui agora e vou de novo só Deus sabe quando. Por isso, sempre pense que para voltar e fazer aquilo ou conhecer aquele novo lugar, você vai ter que pelo menos pagar uma nova passagem…

Isso é muito válido para a Europa também. Às vezes, vale a pena aproveitar que está por lá (se você tiver tempo, lembre-se da dica número 1) e dar um giro, do que pagar uma passagem para a França, depois uma para Itália, uma para Espanha…

5) Real motivo do segundo destino

Por que você quer ir para este novo lugar? Só para falar que foi? Só pra riscar da lista e ter um novo carimbo no passaporte?

Tente pensar no real motivo e se ele vale de verdade o esforço.
No nosso caso, essa viagem tinha um simbolismo muito especial para nós como casal – Japão era um dos sonhos do meu marido, e Havaí um dos meus sonhos.
Eu também queria ir para um destino romântico, uma vez que estava comemorando meu primeiro aniversário de casamento e queria também esquentar um pouco a minha pele depois de um tempo gelado no Japão.

Esses motivos são realmente importantes para mim, e por isso, valeu a pena ter feito essa segunda parte da viagem. Era mais fácil, mais cômodo e mais barato ficar o restante dos dias no Japão? Era sim! Mas ir para o Havaí foi mágico!

6) As malas!

Este é um motivo que todo mundo costuma ignorar na fase de planejamento – e na hora de carregar de um lado pro outro, xinga e amaldiçoa todas as gerações anteriores e as que estão por vir pela ideia de jerico que teve.

Carregar mala pesada é um saco! Mesmo para quem adora viajar com mala grande e cheia, como eu, continua sendo um saco. Além de sempre ter a possibilidade de ter a mala extraviada ou dar um mal jeito nas costas por causa do peso (o que já aconteceu comigo e me fez perder um dia inteirinho em Paris, deitada à base de remédios…)

Quando for pensar no seu segundo trecho, pense na praticidade. Destinos com climas muito diferentes podem ser um problema, pois significa que pelo menos na metade da viagem você estará carregando peso morto, com roupas que você não vai usar.
No nosso caso, isso não foi um problema tão grave, porque já era primavera no Japão, então não precisamos levar tanta roupa pesada.

Além das roupas, pense também no que você vai comprar em cada destino.
Ir para Miami com planos de comprar todo o Sawgrass e depois viajar para outro canto não costuma ser a melhor estratégia. Pense sempre que no segundo destino, também vai ter coisa bacana que você vai querer comprar, nem que seja um ímã de geladeira. Mas todo mundo sabe que quando a mala chega ao limite do peso, cada grama conta. Se não está nos seus planos carregar mala pesada ou pagar excesso de bagagem, pense nisso!

7) Clima X Motivo da viagem
*por Rebecca Hiromi Teoi

Eu sempre levo em consideração o clima vs. motivo da viagem.
Entender qual o motivo ajuda a decidir se os destinos valem a pena numa determinada época. Especialmente pra viagens pra Europa, pode mudar drasticamente a experiência. Isso porque a maioria de nós vai pra Europa pra fazer sightseeing (outdoors) – e no inverno isso pode ser um problema (frio, dias muito curtos, tempo ruim). Morei em Berlim e adoro lá, mas no inverno é complicado. No verão é top demais, sol até 21h30, muito tempo pra passear!! Mas se você pretende passar metade dos seus dias dentro de museus porque quer ver tudo sobre a época do Muro de Berlim, então talvez o frio não te afete tanto.

Por outro lado, enquanto Berlim é ótima no verão, eu evitaria a Andaluzia. O calor é INSANAMENTE BRUTAL e você tem que se esconder na sombra muitas vezes porque você sente o sol rachando na pele. Estive em Córdoba no verão e a gente resolveu procurar uma piscina ao invés de passear pela cidade numa determinada tarde porque o calor estava impossível.

8) Evitar economias (desnecessárias) demais
*por Rebecca Hiromi Teoi

Evite o lado negativo do mindset backpacker, cujo objetivo muitas vezes parece ser ver quem economizou mais. Tem que fazer uma viagem que caiba no orçamento pra que dê pra aproveitar sem ficar (mais) noiado (ainda) com a grana.

Isso tem muito a ver com o #4 (Possibilidade de voltar em breve) e a forma como você gasta o seu tempo. Mas dadas as restrições de grana, muitas vezes economizar cada centavo vira A MAIOR preocupação e muita gente faz algumas coisas meio malucas e acaba não aproveitando tanto quanto poderia (e não necessariamente economizando). Ou gente deixando de fazer coisas que aparentemente tinha muita vontade, dizia que não fazia por falta de grana, mas gastava pra caramba pra beber toda noite (tem lugar q sai caro hehe). Tem que saber o que priorizar

Ex: planejar viagens muito longas de carro num mesmo dia, não bookar hostel/hotel para economizar (e considerar que vai emendar 2, 3 dias com uma balada no meio), muitas noites em meios de transporte (voos/viagens de trem longas), não alugar carro em lugar que você claramente precisa de um (e pegar tours no lugar), coisas assim.
Óbvio que varia de pessoa pra pessoa o ritmo que aguenta, mas tem gente que acaba sofrendo umas consequências indesejadas como ficar doente, perder a hora/passeios, ficar de mau humor, só reclamar e estragar o dia do outro..

 

Gente, amei a colaboração da Beck. Demais mesmo essas dicas!

Faz sentido para vocês? Alguém tem mais alguma dica para compartilhar?