Dry January: 6 Coisas que eu Aprendi ao Ficar Um Mês Sem Beber Álcool

drynuary
O Dry January, ou Drynuary, como eu e muitas outras pessoas preferimos chamar, é uma iniciativa do governo britânico que teve início há alguns anos para incitar as pessoas a beberem menos e mais conscientemente.

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O desafio do Drynuary (ou Janeiro Seco, em tradução literal) é ficar os 31 dias do mês de janeiro sem beber uma gota de álcool. A prática se espalhou pelo mundo e pelas mídias sociais e eu decidi aceitar o desafio. O objetivo não é fazer as pessoas pararem de beber, mas conscientizá-las a beber de maneira mais inteligente.

Tomei a decisão de fazer o Drynuary porque sempre acho interessantes as propostas que tragam mais saúde e qualidade de vida para o meu dia-a-dia e queria entender claramente como o meu corpo iria reagir.
O meu Drynuary durará exatamente 32 dias (de 4 de janeiro a 4 de fevereiro, certamente tomarei uma tacinha de vinho no dia 05).
Nestes 32 dias enfrentei 4 finais de semana, 1 churrasco, 1 festa da Heineken, alguns jantares de família e muito calor. E venci o desafio com louvor, nem uma gota de álcool pra dentro.

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Mas estes 32 dias foram de muito aprendizado. Aprendi muito sobre como me relaciono comigo, como as pessoas se relacionam comigo e como podemos encarar quase qualquer desafio na vida.
De todos os aprendizados (e alguns eu prefiro manter privados), 6 se destacaram e são esses que eu quero compartilhar com vocês.

1. As pessoas não sabem simplesmente ouvir e respeitar as suas escolhas.

dry january
Um dos muitos chás gelados que meu marido fez pra mim neste período

Essa foi o aprendizado mais forte pra mim neste período e que aparecia de vez em sempre para mim.
Quando contei para o meu marido que ia fazer o Drynuary, ele me ouviu, respeitou, mas disse que não ia fazer junto. Ok, a decisão era minha. Mas ele foi super legal em sempre testar uns chás gelados novos, sucos de frutas diferentes e sempre me dar uma opção gostosa e não-alcoolica quando ele ia abrir uma cerveja.

Mas ele foi o único.

Nos happy hours, jantares, festinhas ou qualquer encontro que envolvesse bebida neste período, quando eu dizia que ia ficar só na água porque não estava bebendo, ouvi as mais diversas reações:

– Você está grávida?
– Tá doente?
– Tá tomando remédio? Antibiótico?
– Você vai parar de beber pra sempre?
– Ih, que que tá acontecendo?

E até o melhor:

– Cê tá com algum problema?

Sim, estou com um problema, mas ele não está relacionado com o álcool. O meu problema é ver como as pessoas não respeitam as suas decisões e escolhas e tentam, de alguma forma, invalidar a sua escolha, além de te exporem para o mundo.
E essa exposição se dá pelo fato de que se eu tivesse grávida, doente, louca ou com algum problema sério, eu escolheria para quem contar e quando, mas não gostaria e nem gosto de ser confrontada com essas perguntas inadequadas e desagradáveis.

A minha resposta sempre era: “Não, só não estou bebendo”, mas a vontade era de mandar a pessoa ir catar coquinho.

Fiquei muito assustada ao perceber que hoje, beber é a regra, quando deveria ser a exceção.
Mas mais ainda, fiquei assustada em como as pessoas gostam de cuidar da vida dos outros. As pessoas que convivo deveriam ficar felizes por eu cuidar da minha saúde, e não me escrutinar como se eu tivesse cometido um crime.

Não quero ser parabenizada pela minha escolha de não beber álcool em janeiro, porque pra mim, isso não é um grande feito. É só mais uma escolha, como as milhões que eu faço todos os dias.

2. É beeeeem mais fácil do que parece.

Ok, isso se você for um bebedor casual como eu sou e não um alcoólatra.
Achei que, estando em pleno verão, a cervejinha gelada de domingo faria muito mais falta. Mas não fez quase nenhuma falta, e sabe por quê?
Porque novamente, foi uma escolha que eu fiz e não uma imposição.

E pra mim, isso funciona da mesma forma do que uma dieta. Se você escolhe fazer uma dieta para ser mais saudável, se sentir melhor e ter mais qualidade de vida, é uma coisa. Mas se você faz uma dieta restritiva só para perder uns quilos e poder fazer parte de um padrão de beleza, normalmente a sua dieta não vai durar, ou você vai sofrer horrores e se jogar no primeiro brigadeiro que vê.

Quando a gente escolhe conscientemente uma coisa, a gente sabe que o mundo não vai cair se a gente mudar de ideia no meio do caminho. E quando a escolha é feita por você e o trato que você faz é só com você mesma, as chances de você se manter no caminho escolhido são muito maiores.

Por isso, manter o Drynuary pra mim foi tão fácil. Era uma escolha que eu tinha feito comigo e com ninguém mais. E não tinha o peso de uma obrigação, eu não precisava me fiscalizar o tempo todo. Era uma coisa que eu queria e isso pra mim bastava.
Quando você não é rígido com você mesmo, você não precisa de uma válvula de escape.

3. Senti falta de beber coisas diferentes.

dryuary 2016
Suco de caju com seriguela e mel: uma das muitas descobertas durante o mês de janeiro. Maravilhoso!

Quando eu estava em casa, sempre procurava fazer um chá gelado, suco natural ou mesmo uma água aromatizada com alguma coisa. E aí me virava bem.
Mas quando ia comer em algum lugar, percebi a falta de opções boas para pessoas que não bebem. A maioria dos lugares só tem água, refrigerante ou cerveja.

Eu não bebo refrigerante e nem suco industrializado e aí invariavelmente tinha que ficar na água. O que pra mim não tem problema nenhum, já que eu acho a melhor opção pra matar a sede. Mas confesso que aos finais de semana, eu queria dar alguma bebida diferente para o meu paladar. E a maioria dos restaurantes e bares falharam enormemente nisso.

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4. Faz as pessoas ao seu redor beberem menos.

Aprendi também que a maioria das pessoas não tem necessidade de beber. Não bebem porque tem sede ou só porque gostam do sabor da bebida. Bebem por uma necessidade social.
Afinal, que graça tem tomar uma taça de vinho sozinho? É a mesma coisa tomar uma cerveja em uma mesa que todos estão tomando suco?

E assim, percebi que as pessoas ao meu redor se sentiam desestimuladas a beber porque eu não estava bebendo. Mesmo sem estarem no desafio do Drynuary, não acreditando ou nem sabendo o que era isso, elas tomaram uma cerveja a menos, um drinque a menos ou simplesmente não beberam porque eu não estava bebendo. E isso é muito positivo e me leva ao próximo tópico…

5. É sempre bom beber menos

Não sou partidária da abstinência de álcool e nem do abuso do mesmo. Cada um faz o que quiser com a própria vida.
Mas ninguém precisa beber até cair, ter a sensação de teto preto ou não lembrar o que fez na noite anterior. Ninguém!
E por isso, é bastante interessante repensar a sua relação com álcool.
Beber menos, beber melhor, com mais qualidade e consciência.

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6. O resultado é mais psicológico do que físico.

Você deve estar se perguntando: “Tá legal, mas e aí, funcionou?”

Eu deveria ter feito alguns exames antes de começar o Drynuary e depois repetido os mesmos exames depois. Assim poderia verificar se houve alguma mudança real no meu corpo.

A resposta é que funcionou sim. Mas não do jeito que eu esperava.

Eu esperava ter uma grande melhora metabólica, perder peso, ter mais disposição, me sentir muito melhor.
E me senti melhor durante o mês de janeiro sim, mas não tenho certeza se posso creditar isso à falta de álcool. Acho que é mais uma combinação de fatores.
Janeiro foi um mês em que me senti muito motivada, disposta e bem fisicamente. Mas acho que grande parte disso é que era janeiro, o mês em que a maioria das pessoas ainda está com o ânimo renovado e os objetivos bem claros na cabeça. Talvez se eu fizesse o desafio em outubro ou novembro, os resultados fossem diferentes (e deve ser por isso que o governo britânico começou essa campanha em janeiro, pois tinha mais chance de adesão).

Emagreci, não tive espinhas, não passei mal nenhuma vez.
Mas me alimentei excepcionalmente bem, fiz exercícios cinco vezes por semana, cuidei da minha mente.

Ou seja, não posso dizer que foi o álcool, mas pode ser sim, que ele tenha uma parcela de responsabilidade no meu excelente mês de janeiro.

Fisicamente, não senti muita mudança, mas psicologicamente, aí sim, o Drynuary fez um efeito danado.

Aprendi a confiar mais em mim e ter a motivação necessária. Poxa, eu adoro um vinho, mas ficar sem beber um mês não será sacrifício nenhum se eu decidir que assim será.

Aprendi a tomar minhas decisões sozinha. Não pedi para ninguém entrar nessa comigo e encarei o desafio sozinha (com o apoio do meu marido, é lógico, mas sozinha). Sobre as decisões de tomo em relação ao meu corpo e minha vida, não tenho que dar satisfações e nem preciso da aprovação de ninguém.

Aprendi que ter uma vida mais saudável é um caminho sem volta. Beber menos álcool, comer menos carne, menos açúcar, menos gordura, cuidar da mente e da alma, exercitar-se mais, estressar-se menos e dar mais valor para as pessoas são coisas que uma vez que fazem parte do seu dia-a-dia, você não consegue mais deixar pra trás. Sabe aquela história de que coisa boa a gente se acostuma?

Aprendi a não julgar as decisões dos outros. Se aquela pessoa tomou este caminho, ela deve ter um motivo que talvez não faça sentido pra mim, mas foi a melhor opção para ela no momento.

Aprendi a encarar minhas decisões e erros com mais leveza. Ninguém merece ficar carregando o fardo da dieta sem glúten ou se culpar por causa da coxinha no meio da semana, não é mesmo?
Da mesma forma que você pode fazer a dieta sem glúten numa boa e comer a coxinha com todo o gosto do mundo. É só ter leveza (essa aí não é fácil aprender, é um exercício constante pra mim…)

Aprendi a não culpar os outros por estarem bebendo. Sabe quando você não pode comer algo e aquele amigo fica se deliciando com o treco na sua frente? A culpa não é dele. Foi você que tomou a decisão, afinal.

Aprendi que dá pra ser feliz sem álcool. Ou sem glúten. Ou sem açúcar. Ou sem lactose. O que não dá é pra achar que o seu jeito de levar a vida é o único que vale e achar que todo mundo que leva uma vida diferente é infeliz. Ou botar a carga da sua infelicidade em qualquer outro fator que não seja você.

Você deve estar se perguntando se eu vou parar de beber.

Não, não vou tomar esta decisão.
Mas pode ter certeza que a minha relação com o álcool agora está muito mais madura, saudável e muito, mas muito mais prazerosa!

E não, não estou falando pra você parar de beber ou fazer o Drynuary também. Mas me conta aqui nos comentários o que você achou deste texto e da minha decisão.
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3 comments

  • Querida Magali, imagino o que passou. Substituindo o “não beber vinho” pelo “não comer carne” dá o mesmo resultado na reação das pessoas. O mais difícil da mudança de hábitos são as dificuldades fora de casa, pois as pessoas e estabelecimentos não estão abertos a isso…é um saco pra falar a verdade. Mas vejo mudanças e como moramos em SP as coisas são menos difíceis pela maior oferta do diferente.

    Viva o cuidar bem de si!

    Beijo

    • Dani,

      É exatamente isso! Seja “não beber vinho”, “não comer carne” ou fazer qualquer coisa diferente do padrão estabelecido, e você sentirá como as pessoas ainda tem dificuldade em aceitar as decisões dos outros, mesmo que isso não impacte em cada a vida delas.
      Eu sempre respeitei os vegetarianos e veganos, mas agora, tendo sentido na pele o preconceito que vocês sofrem, entendo e respeito muito mais!

      E tenho certeza, como você disse, que as coisas aqui são bem mais fáceis do que em outros estados e cidades menores. Mas a gente pode fazer o nosso papel e ir ajudando a mudar essa realidade um pouquinho por dia.

      Obrigada pelo comentário incrível! E viva o cuidar bem de si! E viva aceitar as nossas próprias decisões!

      Um beijo enorme!

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