Como foi a minha experiência com a All Nippon Airways

Viajar para um lugar distante como o Japão é cansativo. Para encarar 24 horas de voo + tempo de conexão, ou você é um semi-zumbi programado, como o meu marido, que dorme em qualquer lugar e quanto tempo for preciso, ou você tem uma estratégia muito bem desenhada.
Quando o seu assento está localizado na parte dos menos afortunados do avião, também conhecida como classe econômica, você precisa pensar ainda melhor, já que o espaço para as suas “atividades” será mínimo e a comida também não vai te ajudar.

Eu achava que tinha: acordar cedo, fazer muitas coisas até ficar exausta no dia da viagem para conseguir dormir o primeiro voo todo. Na segunda parte, eu poderia assistir filmes, ler livros, escutar música, enfim, fazer outras coisas já que eu não teria tanto sono.
Nem preciso dizer que a estratégia não funcionou tão bem assim.
Ok, dormi razoavelmente bem (o quanto dá para dormir bem no avião) no primeiro voo, já que o meu dia tinha realmente sido uma loucura, coroado por um trânsito de 3h para chegar no aeroporto… A comida foi algo totalmente esquecível e ainda sobrou um tempinho para eu assistir Livre, um filme que eu gostei muito! Viajamos de United, uma companhia confiável, mas conhecida por não ter um dos melhores serviços (além de quebrar guitarras).
10h15 de voo, chegamos em Chicago. Ótimo para esticar as pernas e fazer o sangue voltar a fluir para a parte inferior do seu corpo, antes de encarar a próxima batelada de 13h45 de voo.

E foi aí na segunda parte que o bicho pegou. Eu não conseguia dormir, nem tirar um cochilo, li uns mil capítulos do meu livro, assisti filmes e ainda faltava umas mil horas para chegar no Japão (pelo menos foi assim que eu me senti).
Mas a minha experiência não foi tão penosa, tenho certeza que poderia ter sido pior, por um simples detalhe: a companhia aérea.

Explico: não sou uma daquelas pessoas que não viaja de tal companhia aérea ou que tem extremas preferências. Sempre tive experiências parecidas em todas elas (exceto pela Iberia, que tive experiências horrendas e pensaria duas vezes na hora de comprar uma nova passagem).
Eu sempre compro na companhia que tiver a melhor tarifa. E aconteceu do meu segundo voo (que bênção), baratinho, ser All Nippon Airways, ou ANA.

Aqui no Brasil, temos a crença que os japoneses são muito organizados e educados e eu posso dizer, eles são mesmo!

Desde o momento do check-in até a entrada no avião, já fui percebendo que ali o atendimento seria outro e que a minha experiência seria melhor que a média.

Começando pelas aeromoças, que parecem bonecas, de tão bonitas e bem arrumadas. Nada contra aeromoças mais velhas ou menos arrumadas, mas acho que todo mundo ainda tem aquela imagem idealizada na cabeça dessa profissão, e elas eram exatamente a minha ideia de aeromoça: bonitas, educadas e eficientes.

Aí vieram os assentos, que apesar de ainda serem da econômica, tinham um espaço um pouco maior para as nossas pobres pernas, parecendo uma Economy Plus, sem pagar nada a mais.

Programação de filmes e seriados normal, porém com atrações orientais, o que não é um ponto positivo nem negativo pra mim, apenas diferente. Mas que no final foi bom, porque eu acabei assistindo um filme japonês que adorei, Pais e Filhos.

Oshibori. Opa, que surpresa boa! Quando você está há mais de 24 horas sem tomar banho, qualquer coisa que refresque um pouquinho o seu rosto e suas mãos (e que não seja com aquela água nojenta do avião) já é positivo.

Começou o serviço de bebidas: além dos tradicionais suco, água e refrigerante; chá verde quente e gelado, suco de kabosu (um tipo de limão típico da região japonesa de Oita) e bebidas alcoolicas free of charge, como cerveja Asahi, vinho, whisky, vodka…

Para o almoço, um cardápio com duas opções: ocidental e oriental. Pedimos um de cada.
No menu ocidental: saladinha com frango, tomate seco, azeitona e kani; frutos do mar (camarão, vieira e lula) cozidos com creme de leite, arroz e legumes; pão, manteiga e frios e uma garrafinha de água mineral.
Desacreditei quando vi que tinha a opção de frutos do mar e que realmente vinham frutos do mar no prato… estava uma delícia!

Opção ocidental, com frutos do mar
Opção ocidental, com frutos do mar

Mas o oriental estava melhor ainda: soba com hijiki de entrada, tamagoyaki, edamame e missoshiro; de principal, karê raisu; frutas de sobremesa e uma garrafinha de água.
A comida estava muito boa, o padrão muito melhor do que a média das companhias aéreas internacionais. Além de tudo isso, os talheres ainda eram de verdade e não de plástico: uma coisa simples, mas que melhora muito a percepção da comida.

Opção oriental, com missoshiro, kare e soba
Opção oriental, com missoshiro, kare e soba

Depois do almoço, elas passaram oferecendo sorvete Haagen-Dazs, que não é meu preferido, mas é legal para comer no avião.

Thiago feliz da vida com sua cerveja japonesa e seu sorvete Haagen Dazs, que era de baunilha, mas ele transformou em wasabi...
Thiago feliz da vida com sua cerveja japonesa e seu sorvete Haagen Dazs, que era de baunilha, mas ele transformou em wasabi…

Aí elas pedem para todos fecharem as janelinhas e apagam as luzes do avião, porque apesar de ser dia, eles precisam simular que é noite, senão o fuso te deixa ainda mais louco.
E aí começou a parte mais absurda para mim: o serviço de bebidas ininterrupto, a noite inteira. De meia em meia hora, passava uma aeromoça com uma bebida e os copos em mãos (sem o carrinho, para não fazer barulho), oferecendo bebidas para quem estivesse acordado. Eu, que fiquei acordada o voo inteiro, vi que elas não faziam nenhum barulho, não incomodando assim quem estivesse dormindo, e cada vez passavam com uma bebida diferente, para ter variedade (além de ter provado todas as bebidas).

Além disso, nas áreas de apoio próximas ao banheiro, tinha mais bebidas, biscoitinhos tipo senbe e bananas, para quem quisesse se servir.

Oshibori de novo.

Uma hora e meia antes de aterrissar em Tóquio, veio a outra refeição (que não sei dizer se era almoço de novo ou café da manhã): frango com legumes, pão e iogurte. Estava gostoso também.

O legal também é que mesmo sem entender japonês, você já começa a entrar no clima do país: observar as expressões das aeromoças já dá uma pista de como será o serviço prestado no país e folhear a revista da companhia aérea faz você dar umas boas risadas, vendo uns anúncios e propagandas engraçadíssimos, que são super comuns no Japão.

Olha o anúncio na revista da companhia aérea
Olha o anúncio na revista da companhia aérea
WTF?
WTF?

Impossível passar fome neste voo, ser destratado pelas aeromoças. Mas impossível mesmo, é comparar com a United… sem palavras!

Ou seja, se você está indo para o Japão, mesmo que custe um pouquinho mais caro, considere a possibilidade de ir de ANA. O excelente serviço, o espaço entre as poltronas e a comida vão fazer você sofrer bem menos atravessando o mundo.

Sem dúvidas, a melhor companhia que eu já viajei até hoje!

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