Clássicos de Porto Alegre que nunca saem de moda | Collab Magali #5

Hoje quem assume o Magali é o Kiko Lopes, designer gaúcho que vive em São Paulo há 13 anos, mas que nunca perdeu o amor por Porto Alegre, cidade em que viveu por 10 anos. Ele tem dicas clássicas e ótimas sobre a cidade, que dão vontade de ir para lá o quanto antes. Valeu, Kiko!

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“Provavelmente meu relato e minhas dicas serão um pouco nostálgicos. Corro o risco até de falar de coisas desatualizadas – pois desde 2003 moro em São Paulo e vivo Porto Alegre muito pouco.” Foi assim que respondi o convite da Magali (que me deixou muito honrado) para dar dicas sobre 5 lugares bacanas em Porto Alegre. E ela, do alto da sua agilidade intelectual, me respondeu: “adorei a sua ideia dos clássicos”.

Bom, primeiro é preciso dizer o seguinte: Porto Alegre é uma cidade para se morar e não para se visitar. Estamos falando de uma pequena cidade grande. Como diz Luis Fernando Veríssimo, a graça está na “vidinha” do lugar. No dia a dia, na rotina, nos pequenos prazeres.

Mas mesmo não morando em Porto Alegre, dá para sentir o gostinho.

Primeiro, você precisa ir ao centro.

usina do gasômetro porto alegre
Usina do Gasômetro

Lá está o Mercado Público, a Rua da Praia, a Esquina Democrática, o Gasômetro, a Casa de Cultura Mário Quintana, a Praça da Alfândega, o Teatro São Pedro, o Santander Cultural, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Chalé da Praça XV, Galeria Chaves …

Porto Alegre - galeria_chaves - Magali Viajante
Galeria Chaves

Lá você vai descobrir, primeiro, nem tudo é o que parece ser. O “centro” fica em um canto, a Rua da Praia não tem praia, a Praça Alfândega não tem Alfândega e, claro, o Rio Guaíba é um lago.

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Todos esses lugares valem muito a pena, mas não deixe de ir a quatro especialmente:

  1. Pegue seu chimarrão (claro!) e vá tomar um mate no Gasômetro. Melhor se for verão e tiver muito quente e úmido – as cores ficam mais intensas. Faça isso por volta das 19:30. Lá, neste momento, nestas circunstâncias, você terá a visão mais bonita de Porto Alegre: o Pôr do Sol no Guaíba (assim, com maiúsculas mesmo). Agora sim você está em Porto Alegre.

    por do sol guaíba porto alegre
    Pôr do sol do Guaíba
  2. Antes, vá ao Mercado Público fazer uma pequena viagem no tempo. Lá, você sentirá toda a tradição gaúcha. Erva, cuia, bomba, mateira, charque, queijo criolo, alpargata, peixe de água doce, bota, bombacha … Não estou falando de cenografia para turista ver. Como qualquer mercado municipal do mundo, é lá que acontecia o comércio da capital gaúcha. E acontece até hoje.
 Escolha um dos restaurantes do piso superior e almoce – possivelmente um peixe. Na saída, tome um sorvete na Banca 40 ou um café no Café do Mercado. E se você tiver sorte, haverá um lambe-lambe na frente do chalé da Praça XV – faça isso, tire uma foto antes de voltar para os dias atuais.
 Aqui, cabe uma explicação: não, você não vai comer churrasco em um restaurante em Porto Alegre. Mesmo que num domingo você sinta cheiro de churrasco por todos os lados, Porto Alegre não é Montevideo ou Buenos Aires – que tem parrillas em tudo que é canto. Se você quiser comer um churrasco, descole um amigo por lá e vá comer na casa dele. Aí sim você terá um autêntico churrasco gaúcho. Mais um alerta: chegue para o mate, cedo. No Rio Grande Sul, churrasco é um prato e não um evento. Se você chegar às 16h em um domingo, você pegará os anfitriões sesteando. 😉
  3. No caminho para o Gasômetro, passe na Casa de Cultura Mário Quintana. Foi lá, no então Hotel Majestic, que viveu por muitos anos o “poetinha”, como dizem. Hoje é um centro cultural, com teatro, cinema, biblioteca, oficinas, cursos, restaurante, o Acervo Elis Regina e uma exposição permanente sobre o maior poeta do Rio Grande do Sul. Vá ao 7º andar e tome um café no Café Santo de Casa (péssimo nome). Se quiser, pode assistir ao por do sol por lá mesmo. É igualmente lindo. Ah, se você não conhece Mario Quintana, folheie rapidamente “Quintana de Bolso”, da L&PM – e apaixone-se por sua sensibilidade em observar o cotidiano.
  4. Ali, do lado da Casa de Cultura, está a Praça da Alfândega. A praça não tem novidades, mas é lá que acontece a Feira do Livro de Porto Alegre. Se você tiver na cidade em novembro, dê uma passada por lá. Não estou falando da tosqueira marketeira comercial espetaculosa Bienal do Livro de São Paulo (e outras similares). Estou falando de efervescência cultural. Vá num fim de tarde, tome um chopp e aproveite. A cidade toda estará lá.

Se ainda fosse possível, eu diria para você tentar assistir uma sessão de Tangos & Tragédias no Teatro São Pedro, na Praça da Matriz. Mas, infelizmente, Nico Nicolaiewsky, o Maestro Pletskaya, que fazia a dupla com Hique Gomez, faleceu em 2014. E, após 30 anos em cartaz, esse espetáculo-ícone não existe mais.

Agora que você andou pelo centro, cansou de ver camisas do Grêmio e do Inter por todo lado na Rua da Praia e deu um pulinho no Teatro São Pedro, atravesse a Praça da Matriz, pegue a Duque, passe o viaduto da Borges e vá em direção à Cidade Baixa.

A Cidade Baixa é um bairro que fica ao lado do Campus Central da UFRGS (pronuncia-se urguis), a Universidade Federal do Rio Grande Sul. E, pela proximidade, era lá que moravam os estudantes que vinham de todas as partes do Estado para estudar. Aí esta história vocês já sabem: estudante e boemia são quase nome e sobrenome… E, claro, foi lá que morei nos 10 anos que vivi em Porto Alegre.

Já teve suas idas e vindas, seus momentos mais populares e mais elitizados – mas desde sempre a Cidade Baixa é bairro boêmio de Porto Alegre. E aí tem para tudo que é gosto, valeria um post só para isso. Mas vou destacar dois clássicos.

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A Sorveteria Jóia (o nome já é um clássico) é uma viagem no tempo. Desde os letreiros até estilão de servir o sorvete – é tudo muito simples, mas vale a visita. Fica na esquina da linda e arborizada Rua da República com a José do Patrocínio. E, apesar da antiguidade, muita gente (nova) não conhece.

Porto Alegre - joia_cidade_baixa - Magali Viajante
Sorveteria Joia

O segundo clássico é pessoal, é afetivo. Na Rua Lima e Silva, depois de passar pelo Centro Comercial Nova Olaria, você chegará ao Cavanha’s. É uma lancheria (é como chamamos as lanchonetes) comum, sem charme, sem nada de legal no ambiente. Mas lá você vai comer o Xis do Cavanha’s, o melhor exemplo do que é um xis no Rio Grande do Sul. Peça um xis strogonoff (sim!) – vem com fritas por cima.

É uma iguaria? Não. É um burger gourmet? Não. Mas é bom. E é assim que se come lanche no Rio Grande e você não encontrará em nenhum outro lugar.

Para finalizar, o clássico dos clássicos. Domingo de manhã (antes de ir ao churrasco do seu amigo), pegue um mate (sempre!) e vá fazer nada no Brique da Redenção. Sabe aquele “todo mundo” que vai à Feira do Livro? Pois é, no resto do ano eles estão no Brique zanzando de um lado para o outro com uma cuia na mão e bisbilhotando nos artesanatos e peças antigas vendidos por ali.

parque da redenção em porto alegre
Parque da Redenção

Como falei no início, são clássicos e, certamente, Porto Alegre tem muito mais a oferecer. Mas te digo, essa lista contém o mais fundamental desta cidade que eu amo demais.

O que achou das dicas do Kiko? Conhece algumas delas? Deixe aqui embaixo os seus comentários e o que mais você pode fazer em Porto Alegre.

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4 comments

  • As clássicas do Kiko Lopes são ótimas, um “must do” de um fim de semana na cidade. Para dar mais uma temperadinha neste caldo, a Muito Mundo sugere alguns passeios: Santander Cultural na r. 7 de Setembro, 1028, bem pertinho da Rua da Praia. É um espaço imenso dedicado à arte contemporânea, construído entre 1927 -1932, cheio de influências dos estilos neoclássico, art nouveau e barroco-rococó. Peça para ser guiado pela mediadora Carla Meyer, que vai te explicar as contemporaneidades de tanta obra. Quer ver arte num lugar mais moderno? Então vá até a Fundação Iberê Camargo. Fica num prédio projetado por Álvaro Siza, arquiteto português com muitas obras pelo Mundo (dá um wiki para ver) e premiado com Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002. É lá na Av. Padre Cacique, 2000, indo do Centro para o Gasômetro. Deu fome? O Machry Armazém e Bistrô tem gostosuras gaúchas como cuca de banana e massas recheadas. Pura fofura, em todos os sentidos. É ” armazém, bistrô, confeitaria, bazar e muito mais.” ( http://machry.com.br/armazem/) E para concluir a lista, Porto Alegre perdeu o Nico mas você pode ver uma apresentação histórica do Tangos & Tragédias no You Tube (https://www.youtube.com/watch?v=UUPpE5H6fsY). Divirta-se, tchê!

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