Casa de Francisca: a menor casa de shows do Brasil!


Quem disse que rap não pode ser romântico?

Fiquei pensando alguns minutos em qual seria o título do post de hoje. Normalmente, antes mesmo de saber o que vou escrever, já tenho o título certinho nos meus pensamentos. Mas hoje não, fiquei pensando, pensando e pensando um pouco mais em qual seria um título que fizesse jus à essa casinha tão especial, que me deu alguns momentos maravilhosos semana passada.

Sim, lendo o título, pode parecer uma crítica dizer que um lugar é o menor do Brasil. Mas em tempos de megalomania, gritos, falta de gentileza, em que tudo é muito e que as pessoas querem sempre mais, ter um lugar pequeno, intimista, que traz as pessoas para perto, é realmente demais.

O título não é criação minha não. É assim que um dos sócios apresenta a casa, logo antes do show. E eu acho genial. Acho o maior dos elogios.

Acho que quase todo mundo já foi em uma casa de shows super big, com milhares de assentos, com garçom derrubando bebida no meio da sua música preferida, e com o artista lá na frente, bem longe, quase inatingível… ou pior, escondido atrás de uma coluna, já que o único ingresso “comprável” era aquele com visão parcial ou prejudicada. Como diz um blogueiro de gastronomia que eu leio bastante: o horror, o horror!

Pois esqueça tudo isso na Casa de Francisca – a casa é pequeniníssima (tem apenas 44 lugares), o preço é super justo, a comida é boa, o atendimento é ótimo, os garçons não atendem durante o show, todos os lugares (sim, eu disse todos) tem uma ótima visão do palco, e se você chegar cedo, pode pegar uma mesa a literalmente dois passos do paraíso do seu artista favorito.

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É até meio vergonhoso que eu não tenha ido antes à Casa de Francisca. Já tinha sido convidada por uma amiga uma vez, outra vez que quis ir os ingressos já estavam esgotados, enfim, nunca dava certo; mas dessa vez deu mais que certo, e foi maravilhoso.

Como falei de artista favorito uns parágrafos acima, não posso deixar de mencionar que a programação é de primeira – não convencional, é verdade, mas música brasileira de vanguarda, boa, de verdade. Não sei quem faz a curadoria, mas o cara é um gênio.

Bom, a minha experiência começou pela compra, pela Internet. Show do Emicida, França e Campos (eu adoro Emicida, ninguém imagina isso, mas eu gosto muito do cara!), R$ 62,00, sem taxa de conveniência. Tenho que ir, pensei!
Pronto, comprei e recebi um email de confirmação. Não é preciso imprimir nada, comprovar que você é você, nada disso.
Eles só avisam: chegue cedo, para escolher o seu lugar, depois de um certo horário, nós liberamos para quem não tem ingresso, se houver espaço.

Fui a primeira a chegar! De olhar o lugarzinho pitoresco do lado de fora, já me senti bem, uma lembrança da Europa, talvez…

Abriram as portas… é só dizer o nome de quem fez a reserva e voilà! Pode escolher o lugar e ser feliz. Escolhi uma mesa tão pertinho, mas tão pertinho do palco, que sentia que o Emicida estava cantando só para nós.

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O lugar é escuro, iluminado quase só com velas, mas tem uma decoração super legal e diferente. Uma mistura de circo, cinema antigo e cabaré, talvez?

Tem lugar mais romântico que esse?
Tem lugar mais romântico que esse?

Sentamos, uma cervejinha, e o garçom já avisou que nada era servido durante o show. Beleza! Pedimos o Falafel de Francisca – bolinhos de grão de bico e fava acompanhado com pão sírio, beterraba e pepino japonês.
Estava uma delícia. E era grande. Nós não estávamos com tanta fome assim, e ficamos muito satisfeitos. Eu adoro falafel. Mas a verdade é que é difícil encontrar um gostoso, bem feitinho, sequinho. O melhor que eu já comi em SP foi no finado Summac, na Pamplona. Mas o do Casa de Francisca estava nota 10! Bom mesmo, recomendo!

A foto tá ruim, mas a comida estava uma delícia!
A foto tá ruim, mas a comida estava uma delícia!

O restante do cardápio é todo vegetariano, com apenas uma opção de peixe, que no dia era Ceviche. Mas interessante, dá vontade de provar outras coisas.

Aí, de barriga cheia e felizes, começou o show. Eles pedem: nada de celulares, fotos, selfies, Instagram, conversinhas, nada. Se você foi até lá, foi para aproveitar o show. Então, aproveita de corpo e alma. Aprecia e prestigia o trabalho do artista.

E aí digo: se tiver novamente uma apresentação do Emicida, França e Campos, não deixe de ir! Foi um dos melhores shows que já vi na minha vida. O Emicida realmente é um poeta e tem uma capacidade descomunal de combinar e escolher palavras. França e Campos também são um show à parte. Tocam lindamente seus instrumentos e parece que as músicas do Emicida ficam muito melhores com o arranjo desses caras do que com o original.

Tanto, que me emocionei duas vezes durante o show. Mas segurei aquele nó na garganta porque todo mundo ia perceber e eu ia ficar com vergonha. A primeira vez foi na música Crisântemo, em que ele descreve a morte do pai (música triste, pesada, com muito sentimento) e a segunda foi em uma música linda, leve, que ele fala da relação com a filha, Sol de Giz de Cera.

No final, me senti tão plena de ter passado umas duas horas sem celular, sem Internet, só com o homem que eu amo, comendo alguma coisa gostosa, apreciando uma arte maravilhosa.

Fica a dica: será que não está na hora de parar um pouco, desconectar e curtir um pouco a sua vida real? Obrigada, Casa de Francisca, por ter me proporcionado isso!

Casa de Francisca (http://www.casadefrancisca.art.br/)
Rua José Maria Lisboa, 190 – Jardim Paulista – 3052-0547
Valores variam de acordo com o show. O do Emicida custou R$ 62,00.

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