BH, a capital brasileira dos botecos!

Quando decidimos ir passar o final do ano e as nossas curtíssimas férias em Bérzonte, várias pessoas perguntaram o que vimos na cidade e porque escolhemos BH, afinal a cidade não tem grandes festas de Réveillon e poucos atrativos turísticos.

Para dar a resposta, meus amigos, me inspirei na velha música “Ô Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais”, mas nesse caso, fiz a minha própria versão da música. “Ô Minas Gerais, quem conhece seus botecos não esquece jamais!!”

E foi exatamente este motivo, a comilança e a bebedeira os bares, botecos, comida e bebida de BH (aliás, motivo de 90% das minhas viagens) que nos fizeram tomar o avião para a terra que abriga o estádio do 7×1 (que dia mais propício) e provar as delícias com nossos próprios paladares.

Fora de Ouro Preto, Inhotim, Praça do Papa, Pampulha e a piscina do hotel, não tinha muita coisa para se fazer na cidade, então decidimos que o nosso roteiro seria baseado quase que inteiramente nos botecos.

Eu já tinha lido em muitos lugares sobre o título de capital dos botecos. E realmente a cidade faz jus ao título. Botecar é uma cultura em BH, há diversos botecos espalhados pelas esquinas da cidade e toda, mas toda a família mesmo, vai junto. Desde a criança até a vovó de 90 anos que manda bem na cerveja. E nos petiscos.

Além disso, em BH há uma divisão clara entre botecos e bares. Boteco é o pé sujo, aquele simplão, de cerveja de garrafa, mesa de plástico da Brahma e cadeira dobrável. São eles que tem a melhor comida e a Original mais gelada.
Bar já é o lugar mais arrumadinho, mais bonito, que a galera vai pra azaração. No conceito deles, a maioria dos estabelecimentos que temos em SP são bares.

Para coroar esta cultura botequeira (cuidado para não trocar as sílabas), lá o Festival Comida di Buteco é realmente levado a sério e os bares exibem orgulhosos os pratos que criaram para o mesmo.
Os belorizontinos curtem tanto o Festival, que conhecemos uns amigos que alugam uma van todos os anos para fazer um tour por seis ou sete botecos em uma noite, provando os melhores petiscos e votando no tira gosto vencedor.

Legal, toda essa introdução foi muito bonita. Mas com tantos bares assim, qual escolher?? A Magali testou vários (mais do que deveria e menos do que gostaria) e te fala aqui o que achou:

1) Chopp da Fábrica

Não, eles não produzem chopp e nem são especialistas em tirar a bebida. Não me pergunte o porquê do nome.

Indicado por uma amiga mineira que mora em SP, fomos conhecer esse boteco famoso por ter o melhor mixidão de BH. O mixidão é um prato típico mineiro que leva arroz, feijão, couve, carne desfiada, torresmo e ovo.
O boteco tem ambiente simples, mas agradável, principalmente para ir entre amigos.
Comece pela cerveja, geladíssima. As caipirinhas são muito boas também, e como em todos os bares de BH, são muito baratas, muitas vezes custando entre R$ 8 e R$ 12.

Excelente caipirinha - e no copo alto!
Excelente caipirinha – e no copo alto!

No cardápio, pratos ogros – e deliciosos, para quem tem muita fome. Vão desde os petiscos típicos de boteco – pastel, bolinho disso e daquilo, mandioca frita; até PFs maravilhosos.

Pedimos um mixidão para uma pessoa, e chegou um panelinha inocente, mas que de boba não tinha nada, e que por mais que você comesse muito, o mixido não acabava. Delicioso! Mesmo! Daqueles de lamber os beiços. Tem razão de ser conhecido como o melhor de BH, porque tem muuuito sabor, mas estamos em dúvida se ele é o primeiro ou segundo, na nossa opinião.

O tal do mixidão!
O tal do mixidão!

Depois do mixido, toma mais cerveja, prosa e caipirinha. Para aguentar mais um pouco, e como temos o olho maior que a boca, pedimos outro prato: Lombo de porco com arroz e feijão tropeiro – para um, mais uma vez. Lombo macio, tropeiro delicioso. Fizemos uma excelente escolha novamente.
Mas tenho a impressão de que qualquer prato que pedisse estaria assim…

Enchendo a minha perna oca!
Enchendo a minha perna oca!

Como estávamos somente em duas pessoas, não conseguimos comer as gamelas, que são uns pratos enormes, cheios de petiscos, tipo linguicinha, mandioca, bolinho de feijão e tudo o mais. Na próxima, na próxima…

Comida boa, de verdade, sem afetação = felicidade instantânea. Virei fã do Chopp da Fábrica. E ainda fica aberto até de madrugada, para os notívagos famintos de plantão.

Chopp da Fábrica (https://www.facebook.com/choppdafabrica)
Avenida do Contorno, 2736 – Santa Ifigênia – (31) 3241-1766
Segunda, das 11h às 2h; terça, das 11h às 3h; quarta, das 11h às 4h; quinta, das 11h às 5h; sexta, das 11h às 6h; sábado, das 12h às 6h; domingo, das 12h às 3h.
Gastamos R$ 97 reais, mas bebemos muito. Com uns R$ 70, duas pessoas comem bastante e ainda tomam uma Original. É que somos exagerados mesmo!

2) Via Cristina

O ambiente do Via Cristina!
O ambiente do Via Cristina!

Mais arrumadinho que o Chopp da Fábrica, mas ainda com ambiente simples e sem afetações, o Via Cristina é o lugar para quem gosta de cachaça. Eles tem uma parede imensa com mais de 900 tipos de cachaça. Uma coisa linda de se ver. O difícil é escolher entre tantas opções.

Olha que coisa linda essa parede de cachaça... Confesso que escorreu uma lágrima aqui!
Olha que coisa linda essa parede de cachaça… Confesso que escorreu uma lágrima aqui!

O mais legal de lá é que eles fazem uma degustação de cachaças, com 6 tipos, porém servindo somente meia dose de cada e cobrando metade do preço da dose por isso. Achei muito bom, pois assim você pode provar diversas cachaças sem sair de lá trançando as pernas. Não entendo nada de cachaça, mas uma coisa é certa… lá em Minas tem muita cachaça gostosa, não dessas que estamos acostumados a arder e queimar tudo quando tomamos… Provei as seguintes:

– Salineira (envelhecida no bálsamo)
– Colombina (envelhecida no jatobá)
– Mestre Chiquinho (envelhecida em barril de amendoim)
– Dona Beija (mel com limão)
– Canelinha da Serra (de canela)
– Musa (de banana)

Olha elas aí!
Olha elas aí!

Gostei de todas, mas a minha favorita foi a Salineira. A minha dica, para quem não está acostumado a tomar cachaça, é começar provando as mais doces, de mel com limão, canela, coco… pois assim você se acostuma com a potência da bebida e aos poucos vai evoluindo no nível das cachaças. Recomendo essa degustação para todo mundo. É demais!
Você pode pedir qualquer, mas qualquer mesmo, cachaça do cardápio para essa degustação. Desde as mais simples, de R$ 5 a dose, até uma Anísio Santiago…

Para comer, pedimos um Raulzito, pastel de massa de mandioca com recheio de carne de sol, que estava maravilhoso, e depois, como o forte da casa são as carnes, fomos de Lombo com farofa, vinagrete e batata frita. Estava gostoso, mas nada demais…

Raulzito!
Raulzito!

Mas não deixe, mesmo, de ir nessa casa para provar as cachaças, que são o grande atrativo e diferencial!

E o lombo de porco
E o lombo de porco

Via Cristina (http://www.viacristina.com.br/)
Rua Cristina, 1203 – Santo Antônio – (31) 3296-8343
Segunda, das 11h às 14h30; terça à sexta, das 11h às 14h30 e das 18h à 0h; sábado, das 11h à 0h e domingo, das 11h às 18h.
Gastamos R$ 105, com um prato para dois, um petisco, degustação de cachaça, cervejas e caipirinhas.

3) Bar Patorroco

Esse é a perfeita definição do boteco pé sujo. E foi o que mais gostamos. Ele foi até citado pelo The Guardian como um dos melhores lugares baratos para comer em BH.
Ele fica no bairro do Prado, conhecido pelos seus botecos-caseiros, ou seja, pessoas que abrem pequenos botecos no seu quintal mesmo. Fomos até lá com um casal de amigos de BH.

Lá não tem frescura. É lotado, você senta em umas mesinhas de plástico. Mas o garçom vira seu amigo, te chama pelo nome e te dá abraço desejando feliz ano novo.

E também foi lá que comemos o melhor petisco da nossa viagem: o Tô Fora. O nome do petisco, meio esquisito, surgiu quando o bar sofreu um incêndio e teve que ficar de fora do Festival Comida di Buteco. É uma massa de pastel, com ragu de carne picante, catupiry e chips de jiló. Coisa de louco!! Até quem não gosta de jiló foi à loucura.

Tô fora, ou tô dentro?
Tô fora, ou tô dentro?

Lá provamos também o Acarajé Mineiro, com bolinho de feijão (como no acarajé original), creme de milho, linguiça e mamão verde. Muito bom mesmo!! Diferentão, e nada a ver com um acarajé, mas bem gostoso.

Acarajé??
Acarajé??

Por último, comemos o Bicho do Mato, uma carne de sol com purê de mandioca. Gostoso também.

Bicho do Mato
Bicho do Mato

Mas o imbatível e imperdível deste bar é o Tô Fora.

O que eu adorei neste lugar é que apesar de simples, os petiscos são muito diferentes e saem do tradicional bolinho e fritura. Nota mil!!!

Além disso, as bebidas do Patorroco não fazem feio não. Eles tem as excelentes Backer e Áustria, cervejas mineiras, além de caipirinhas muito bem feitas, que vem com um pirulito de caramelo dentro. É de voltar à infância!

Backer Weiss, a minha preferida para os dias quentes!
Backer Weiss, a minha preferida para os dias quentes!

Vai na minha: quando em BH, vá ao Patorroco!

Caipirinha de lichia com pirulito trash da infância!
Caipirinha de lichia com pirulito trash da infância!

Dica que vale ouro: O proprietário do bar, o Seu Patorroco, todas as terças cozinha um prato no meio do salão. Já ouvi dizer que o tropeiro é divino!!!

Bar Patorroco (https://www.facebook.com/BarPatorroco)
Rua Turquesa, 865 – Prado – (31) 3372-6293
Segunda à sexta, das 17h à 0h; sábados, das 12h às 23h.
Comendo e bebendo beeeeeem, você vai gastar uns R$ 100, o casal.

4) Alibabar

Enquanto escrevo este post, acabei de mudar de opinião. O meu boteco preferido de BH não foi o Patorroco (apesar de ser excelente) e sim o Alibabar. Esse sim, tem um lugar especial no meu coração.

Botecão pé sujo simples de tudo, aqui sim, tem o melhor mixidão que já comi. O boteco tem mesas na calçada, que dá de frente para uma agradável pracinha.
É um misto de boteco tradicional com comida árabe, e faz muito sucesso com o pessoal do bairro.

Para começar, pedimos o petisco que tem o nome mais feio e pornográfico da história, mas que é uma delícia… a famosa Xuranha, um bolinho de carne recheado de tomate e queijo. Gostoso, mas longe de ser o meu preferido.

A Xuranha!
A Xuranha!
E o recheio da Xuranha...
E o recheio da Xuranha…

Depois, pedimos o prato que nos levou ao lugar mais perto que já chegamos do paraíso. O mexidão! O daqui era o mais simples de todos, mas o que tinha mais sabor, textura, mais bem servido, e o mais gostoso. A linguiça era boa, a carne estava uma delícia, a couve estava crocante, o ovo com a gema molinha… Um desbunde de mexido! Peça um prato de tamanho normal, que servirá facilmente duas pessoas.

Aiquefome, aiquefome, aiquefome
Aiquefome, aiquefome, aiquefome

Para não sair do padrão de BH, a cerveja é geladíssima e as caipirinhas são ótimas. Os preços aqui, são mais baixos do que a média.

No final, se pedir uma dose de cachaça como digestivo, prepare-se porque a dose é grande mesmo… eles servem no copo americano! Rs…

Olha o tamanhinho da dose!
Olha o tamanhinho da dose!

Um absurdo de boteco. Bom pra caramba! Dá vontade de passar o final de semana em BH só para comer o mexido de lá. Agora! Alguém?

Alibabar (https://www.facebook.com/alibabarbh)
Rua Matias Cardoso, 345 – (31) 3337-9114
Não encontrei os horários de funcionamento corretos, então é bom dar uma ligada!
Este foi o bar mais barato que fomos, gastamos R$ 78 com uma Xuranha, um Mexidão, cervejas, caipirinhas e uma dose de cachaça de saideira!

5) Casa Cheia

Este bar é quase uma instituição na cidade. Com mais de 30 anos no Mercado Central, tornou-se sinônimo de comer bem, beber bem e jogar conversa fora.

No dia em que chegamos em BH, tentamos ir à matriz, dentro do Mercado. Mas como era sexta feira, lá pelas 13h, nem preciso falar que o lugar estava insuportável, de tanta gente que tinha. Fomos embora!

Tivemos mais sorte uns dias depois, quando fomos na filial que abriu na Savassi, aí sim, um ambiente mais arrumado e menos cheio. Lugar bonito, excelente atendimento e um prato inesquecível.

A regra se confirma aqui: cerveja de garrafa gelada, caipirinha muito boa e barata.

Começamos com o Mexidoido Chapado, o mixidão deles, jea que estávamos na missão de encontrar o melhor mexido de BH.
O de lá é um pouco mais refinado, melhor trabalhado, com repolho roxo, brócolis, alho frito e ovo de codorna. Mas é uma delícia! Bom mesmo, vale a pena.

Mexidoido Chapado
Mexidoido Chapado

Depois do mexidoido, decidimos que ainda tinha lugar para mais alguma coisinha, e resolvemos provar o Mineirinho Valente, que foi, na minha opinião, o melhor prato que comi em BH – ele é feito de canjiquinha com queijo, lombo defumado, costelinha desossada ao vinho, linguiça caseira e espinafre,  arroz com brócolis e batata frita. Essa canjiquinha foi feita com o melhor tempero que já comi na vida… aquele tipo de comida de vó mineira que abraça você e faz carinho no coração (a comida, não a vó).

Mineirinho Valente, meu coração por ti bate, meu coração por ti gela...
Mineirinho Valente, meu coração por ti bate, meu coração por ti gela…

Sem brincadeira nenhuma, foi um dos pratos com o sabor mais apurado que já comi em toda a minha vida. Sabe aquele gosto de que ficou cozinhando por horas, com um monte de temperos e segredinhos. Pois bem. Ficou na memória.

Deu até pra entender porque a casa vive cheia.

Casa Cheia
Rua Cláudio Manoel, 778 – Savassi – (31) 3234-6921
Segunda a sexta, das 17h às 23h; sábados, das 11h às 23h; domingos, das 11h às 17h.
Gastamos R$ 110 com dois pratos, cervejas e caipirinhas.


6) Albano’s

O único bar (não boteco) que fomos em BH, é super famoso e reduto dos gringos quando vão à cidade.
É claro que eu preferia ter ido a mais um boteco, mas era dia 01 de janeiro, e essa era a única opção aberta. Mas foi uma boa opção.

Todos os tipos de chopp
Todos os tipos de chopp

O ambiente e atendimento do Albano’s já são diferente do que encontramos nos outros botecos. Ambiente bonitão, com jardim vertical, mesas confortáveis e garçons mais treinados.

O ambiente, bem mais bonito que nos outros bares.
O ambiente, bem mais bonito que nos outros bares.

O lugar, especializado em chopp, que é fabricado lá, tem opções da bebida no mínimo inusitadas, mas ainda assim, muito boas, como o chopp claro com creme escuro e vice versa.

Chopp claro, o tradicional!
Chopp claro, o tradicional!
Ferrugem - chopp claro com creme escuro
Ferrugem – chopp claro com creme escuro

Para comer, pedimos o Combinado Albano’s. Uma grande tábua giratória, com polenta frita, carne seca desfiada, linguicinha frita, frango com catupiry e mandioca crocante.
Estava bem gostoso, mas mais comum e parecido com o que encontramos aqui nos bares de São Paulo.

Combinado Albano's - Albano's BH - Magali Viajante

O que eu mais gostei neste bar é a iniciativa criada por eles para incentivar o uso de táxi pelos clientes, evitando que peguem seus carros depois de beberem. É assim: se você for de táxi até o Albano’s, o taxista ganha um voucher de R$ 10 para o combustível + um refrigerante nos postos conveniados. Se você for embora de táxi, ganha 10% de desconto na conta para pagar a corrida. Legal, né? Eu usei, e funciona de verdade!

A comanda de chopp mais legal que já vi na vida - o cara começa bem e no último chopp já está virado!
A comanda de chopp mais legal que já vi na vida – o cara começa bem e no último chopp já está virado!

Gostei muito do Albano’s e voltaria sim. Mas não tem jeito, minha alma é mesmo botequeira.

Albano’s (http://www.albanos.com.br/)
Rua Rio de Janeiro, 2076 – Lourdes- (31) 3292-6221
Segunda a sexta, das 18h à 01h; sábados, domingos e feriados, das 12h à 01h.
Gastamos R$ 90 em um petisco grande, dois chopps e duas caipirinhas.

E aí? Bora pra BH?

Semana que vem tem mais dois posts sobre a comida e a bebida da cidade!

 

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