Aleja: o próximo peruano fora do circuito a bombar


(Uma musiquinha latina para animar a segundona)

Atualização janeiro de 2016: fui novamente ao Aleja no final de 2015 e a experiência não foi nada boa. Não havia atendimento de garçons no restaurante e os clientes deveriam pegar suas bebidas, talheres e até limpar a mesa, os pratos demoraram absurdamente para chegar (cerca de uma hora para um ceviche) e a comida também não estava tão boa. Não recomendo mais!

Alguns restaurantes peruanos, fora do circuito, em regiões mal encaradas e em salões muito simples, caíram no gosto e se tornaram hype: filas, público moderninho, amigos comentando, prêmios e citações em todos os blogs e mídia especializada. Foi assim com o Rinconcito Peruano, que de lugar escondido e frequentado somente pela comunidade peruana, passou a ser ponto obrigatório para quem gosta de ceviche. Eles reformaram o restaurante, aumentaram o número de lugares e melhoraram o ambiente. Faz tempo que não vou, mas já ouvi de alguns amigos que apesar de continuar muito bom, ele já foi melhor.

E aí, nesta febre do ceviche e da comida peruana, começaram a surgir outros lugarzinhos assim na cidade. Um deles é o Aleja, que eu tive o prazer de conhecer neste domingo.

 - A vibrante fachada colorida se destaca no triste bairro cinza -
– A vibrante fachada colorida se destaca no triste bairro cinza –

O Aleja fica no Pari, refúgio da comunidade peruana e boliviana de São Paulo, que abriga inclusive a excelente Feria Kantuta aos domingos. Imagino que ir lá de noite não seja uma das tarefas mais agradáveis, mas mesmo eu que sou meio chata com o Centro e os bairros mais antigos da cidade, achei SUPER tranquilo ir lá durante o dia.

O ambiente é simples, porém bem limpo e arrumado e muito melhor do que eu tinha imaginado.

- Ambiente agradável e muito limpo do Aleja -
– Ambiente agradável e muito limpo do Aleja –

Próximo da entrada, uma mesa onde são dispostos produtos e itens da cultura andina, uma forma bem bonita de representação da culinária e crenças de lá.

- Mesa da cultura peruana -
– Mesa da cultura peruana –

Uma TV ligada no Youtube com músicas andinas ou uma dupla tocando música peruana ao vivo completam a experiência.

- Música andina ao vivo. Destaque para o cajón, que produz um som muito legal -
– Música andina ao vivo. Destaque para o cajón, que produz um som muito legal –

No fundo, uma cozinha aberta bem organizada, limpa e bonita, que dá uma cara mais legal para o restaurante e também baixa a ansiedade de muita gente que se preocupa com os ambientes onde são preparados os alimentos que comem nos restaurantes mais simples.
Apesar de ter uma cozinha de pré-preparo no fundo que não fica visível para os clientes, bastante coisa é feita na cozinha aberta e quase tudo é finalizado lá e dá para ter uma boa noção de como tudo é preparado, além de assistir o show que é o preparo de alguns pratos, como o Lomo Saltado, que levanta uma bela de uma labareda de fogo.

- A cozinha aberta dá uma cara mais moderna ao restaurante -
– A cozinha aberta dá uma cara mais moderna ao restaurante –

Não vá com pressa, pois o serviço, apesar de simpático, é um pouco lento. Bebidas e pratos demoram um pouco para sair, mas nada que irrite ou te faça perder a paciência. É bom apenas ter isso em mente.

O cardápio é extenso e tem todo tipo de prato da gastronomia peruana. Desde os clássicos, como Ceviche, Lomo Saltado e Arroz Chaufa, até os menos conhecidos e reproduzidos por aqui, como Dieta de Pollo e Aeropuerto.

- Bonita arte do cardápio -
– Bonita arte do cardápio –
- Destaque do cardápio, onde o chef José Noriega Solano conta a história da sua avó, Aleja -
– Destaque do cardápio, onde o chef José Noriega Solano conta a história da sua avó, Aleja –
- Cardápio com alguns preços -
– Cardápio com alguns preços –

Para matar a sede, pedi um Pisco Sour, um dos meus coqueteis preferidos no mundo. Demorou a chegar, mas valeu a pena. Feito corretamente, com clara de ovo batida, dose suficiente de Pisco e suco de limão. Refrescante, delicioso, perfeito para um domingo de calor como o de ontem.

- Pisco Sour: refrescante -
– Pisco Sour: refrescante –

Para começar, pedimos um Ceviche Mixto. Assistir o cozinheiro responsável pelos ceviches preparando o prato é um show à parte. Super detalhista, ele prova o leche de tigre várias vezes, corta o peixe e espreme o limão somente no momento em que o pedido é feito. Com certeza, esses “cuidados” fizeram toda a diferença no ceviche que comemos.
E aqui, percebemos o porquê o Aleja é um representante fiel da cozinha peruana: ele não faz concessões. O ceviche servido lá é muito parecido com os do Peru.
A porção engana à primeira vista, mas se você for pedir prato principal, divida a entrada, pois os pratos são bem servidos.
Com peixe branco (que eu acho que era tilápia), camarão, lula, polvo e mexilhão, o ceviche estava uma delícia. Peixe e frutos do mar frescos e bem cozidos (com exceção do polvo que estava um tiquinho duro), leche de tigre excepcional, com acidez correta, salgado como deve ser, picante à beça e com sabor de todos os ingredientes que leva, incluindo o salsão.
Como acompanhamento do ceviche, vieram batata doce (que ajuda muito a aguentar a pimenta ardida), cancha (um milho torrado e crocante) e um dispensável milho de latinha.
Mas este ceviche estava maravilhoso, daqueles que dá vontade de lamber o prato, para não perder nem um pouquinho do caldo.
Só não entendi porque foi feito com cebola normal e não a roxa, que é a mais usada no Peru.
Se eles fizessem com a cebola roxa, este ceviche ganharia nota máxima para mim. Mas assim, está entre um dos melhores de São Paulo. Melhor até do que o do Rinconcito.

- Palmas para o ceviche mixto -
– Palmas para o ceviche mixto –

Para continuar, pedimos um clássico da cozinha peruana: o Lomo Saltado. Eles oferecem duas versões: o tradicional, e a versão “A Lo Pobre”, com ovo e banana. Pedimos este último, mas não tinha banana da terra no dia. Então fomos do tradicional mesmo.
Uma entrada e um prato satisfazem bem duas pessoas com apetite normal, mas deve ser uma delícia ir lá com uma galera para provar mais pratos do cardápio.
O cheiro delicioso do Lomo Saltado tomou todo o salão. Um dos trunfos deste prato é que ele deve ser feito em um fogão de alta pressão, para ter o gosto de tostado que somente uma chama alta dá. Lá no Aleja, ele é feito exatamente assim.
Quando chegou o prato, parecia maravilhoso. E realmente estava.
Alguns pontos precisavam de correção, como o arroz, que estava duro e a carne, que havia passado um pouco do ponto. Mas o sabor do molho estava sensacional, as batatas fritas (cortadas lá e fritas em um grande tacho) estavam crocantes e com gosto de “feitas em casa” e muito talo de cebolinha, que ficam maravilhosos neste prato e que não são incluídos no Lomo Saltado do Rinconcito, por exemplo.
Uma das coisas mais gostosas do Lomo Saltado é comer o arroz bem encharcado de molho e molhar as batatinhas nele. E tinha molho suficiente e bem gostoso para isso.
Apesar de não estar perfeito, o prato estava muito gostoso e matou a minha vontade de Lomo saltado.

- Lomo Saltado: é muito bom, mas dá para melhorar -
– Lomo Saltado: é muito bom, mas dá para melhorar –

Enquanto a gente comia, via saindo uns pratos maravilhosos da cozinha, como umas Planchas enormes de frutos do mar, Pollo a la brasa, Jaleas e Arroz Chaufa de encher a boca de água.

Satisfeitos, mas ainda com um “slot” vazio para sobremesa, pedimos Picarones para comer lá (são um tipo de donut feito de abóbora e batata doce) e Alfajores para levar pra casa. Não tinha nenhum dos dois. Essa foi nossa única decepção.

O que mais gostei de lá: Ambiente bacana, bom para ir com a família e não só com aqueles amigos descolados. E o ceviche, ai, o ceviche!
O que não gostei muito: A falta da cebola roxa. Parece besteira, mas faz uma diferença enorme no sabor dos pratos.
Dica que vale ouro 1: Mulheres, vão de cabelo preso e sentem longe da cozinha. O exaustor deles não é lá grandes coisas e todos irão sair defumados.
Dica que vale ouro 2: Chegue cedo, ou vá em horários alternativos, já que o restaurante não fecha entre o almoço e o jantar. Como eu disse, o Aleja está começando a ser hype e logo, a lotar.

Aleja (http://www.alejarestaurante.com.br/)
Avenida Carlos de Campos, 155 – Pari – São Paulo – (11) 2291-5301 – Estação de metrô mais próxima: Armênia (1,8km)
Terça a domingo, das 10h as 22h.
Gastamos R$ 89, com uma entrada, um prato, um refrigerante, um Pisco Sour e serviço. Comida suficiente para duas pessoas.

Apesar de alguns ajustes ainda a serem feitos, virei fã do Aleja. Voltarei várias vezes com certeza, para provar todos os pratos que pareciam deliciosos e feitos do jeito que o peruano gosta.

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