5 livros deliciosos para quem ama comer, beber e ler!


Tô “envolvidona” neste post!

Uma das minhas paixões, depois do marido, de viajar, cozinhar e comer, certamente é a leitura. Aprendi a ler muito cedo e desde sempre, lia qualquer coisa que me caísse à mão.
Qualquer coisa mesmo, desde gibis da Turma da Mônica e os seus saudosos almanacões de férias, até rótulo de xampu quando estava no banho (na época em que a crise hídrica não existia) e de vez em quando, até as revistas Quatro Rodas do meu irmão.
Sempre tive interesse em múltiplos assuntos, mas a verdade é que com o tempo fui aprendendo a ficar mais seletiva por causa da enorme variedade de assuntos que temos acesso todos os dias.
Mas mesmo estando mais seletiva, e não tendo mais interesse na Quatro Rodas e nem nos rótulos, continuo lendo muita coisa diferente.
Meus últimos livros incluem: Amor em minúscula (lendo atualmente e não estou gostando muito, mas não consigo parar na metade), Corações Sujos (para entender um pouco a imigração japonesa – família do marido), O Sári Vermelho (ganhei há uns dois anos, li faz pouco tempo e fiquei enlouquecida pela história recente da Índia) e essa semana comprei O Lobo de Wall Street. Assisti o filme, e sempre gosto de ler o livro para decidir qual é melhor.

Mas os livros que tem a ver com cultura gastronômica, comida, bebida e afins me interessam demais. Não os de receita ou os de técnica, que também me interessam, é claro; mas hoje quero falar daqueles que você se perde na história, consegue imaginar o gosto dos ingredientes, a cor das frutas, consegue se inserir naquele contexto.

O que eu acho legal deste gênero é que pode ser legal para qualquer pessoa. Digo isso porque tenho várias amigas que amam comer, mas não tem nenhum interesse em cozinhar. Por que elas deveriam comprar um livro de receitas, afinal?
Confesso que eu fico meio irritada quando chego na livraria e só tem livros de receitas… I want more!
Mas se perder na história, se deixar levar por um bom livro, a maioria das minhas amigas gosta. E acredito que cada vez uma parcela maior da população brasileira.

Então, depois dessa minha introdução longa – peço desculpas, mas adoro me perder, e me achar nas palavras – sugiro cinco livros deliciosos para você que tem um pouco de Magali na sua essência:

Livros - Magali Viajante

1) 1001 comidas para provar antes de morrer

Ok, este não é bem um livro de histórias… Mas o que eu adoro neste livro – e em alguns outros da série, como o 1001 lugares para conhecer antes de morrer – é passar algumas horinhas do meu dia procurando os ingredientes que já provei, e marcando com um coração nas páginas nesses itens, e já pensando em como viabilizar a possibilidade de descobrir mais alguns nas próximas viagens, nas próximas empreitadas.
Além disso, sempre fico surpresa em ver como existem tantos ingredientes diferentes no mundo. A gente que está sempre acostumado ao arroz-feijão-bife-batata-banana-couve, fica maravilhado ao ver que existe mazhanje-fiddlehead-labneh-kazunoko-biltong de zebra-berbere-junça-bammy-amardine.
Não faz ideia do que significam essas palavras? E eu não vou te contar, mas o livro vai!

Frase preferida: “Enquanto leio, me pego a imaginar a possibilidade de partir em uma divina jornada de exploração pelo mundo, uma tarefa hercúlea e deliciosa, experimentando cada um dos 1001 ingredientes pelo caminho. Certamente se trata de um devaneio, mas nem por isso menos agradável.”
Editora Geral: Frances Case
Editora: Sextante
Preço: R$ 59,90 na Saraiva.

2) Aprendiz de Cozinheiro

Agora sim, uma história bonitinha.
O livro, meio que uma versão masculina do Comer, Rezar e Amar, conta a história real e autobiográfica de um jornalista que fica meio sem rumo depois de terminar um casamento de 14 anos.
Ele decide, então, seguir por uma aventura pelas cozinhas da Itália e França, para aprender a cozinhar de verdade e se “reencontrar” na vida.
Gostei muito deste livro pois ele reúne alguns temas que eu amo: comida, viagem e busca espiritual.

É um livro fácil e gostoso de ler e mostra de forma real, a cozinha de grandes cidades da Europa, bem como de pequenos vilarejos italianos e franceses. Pra quem gosta de cultura gastronômica, é um prato cheio (nossa, que clichê!). É legal ver ele evoluindo na cozinha e cometendo erros que todo cozinheiro principiante comete. Super me identifiquei!

Ah, no meio da história ele também traz algumas receitinhas, para quem se interessa…

Frase preferida: “Para escapar daquela perturbação constante, me refugiei na cozinha. Lá, no meio de facas e picadores de gelo, me sentia de certo modo mais seguro. Reanimado pelo barulho dos mercados, tentava resolver minhas frustrações retalhando, fatiando, cortando em cubinhos e ralando com o mesmo tipo de vigor que se emprega, digamos, no jihad internacional. E ficava murmurando coisas enquanto trabalhava, num diabólico complemento às investidas físicas. A lâmina da faca de chef, ao bater na madeira, dava o ritmo de fundo, acompanhado por ladainhas interiores – ela podia ter sorrido, uma vez ou outra… ter me dado um abraço… isso não iria matá-la – que reforçavam a minha fossa. Se é verdade que a arte imita a vida, então o que eu fazia com os lombos de porco e os escalopes de vitela era o mesmo que o destino estava fazendo comigo.”
(Tão eu essa parte!)
Autor: Bob Spitz
Editora: Zahar
Preço: R$ 49,90 na Livraria Cultura

3) República Gastronômica da China

Esta lista definitivamente não está em ordem de preferência! Certamente, gostei mais deste livro do que o acima.
Acho que o que me encantou demais neste livro é poder ter acesso à cultura e costumes chineses. Ok, a gente pode até comer bastante comida chinesa por aqui, mas saber o que realmente acontece nas cozinhas lá da China é outra história (e às vezes é melhor não saber mesmo!).

O livro conta a história de uma jornalista americana de origem chinesa que decide largar tudo e ir para a China para entender um pouco melhor as suas raízes a partir do ponto de vista da comida (nossa, como eu adoraria fazer isso e ir passar uns bons tempos lá no Nordeste só entendendo o meu passado. Pode parecer meio absurdo, mas até fiz mentalmente uma conexão entre China e Nordeste – talvez pela dificuldade financeira e restrição de comida).

Lá, a tal da Lin-Liu (a jornalista), vive desde momentos muito bons, interessantes e gostosos, até passagens que ainda pontuam o autoritarismo e a dificuldade em alimentar uma população gigante como a chinesa.

(Lembrei da história de um amigo meu que morou na China e que certa vez teve que comer um frango inteiro – inteiro mesmo, com tudo o que tem dentro).

Difícil ou não, sempre é importante sabermos de onde viemos. Isso ajuda a entender a pessoa que nos tornamos hoje. Acho que essa foi a reflexão mais bacana que fiz deste livro.
Faz bastante tempo que li, e estou considerando seriamente ler novamente.

Se você se interessa pela China, ou por culturas bem diferentes da nossa, vai amar este livro. Eu amei!
Mas para os que tem estômago fraco, preparem-se: a China é para iniciados, não iniciantes!

Frase preferida: “Então me lembrei de algo que a diretora Wang me dissera certa vez: “Suan, tian, ku, la. Azedo, doce, amargo, picante. Em minha vida, experimentei todos eles.” Sua vida fora mais amarga que doce, mais azeda que picante, mas as coisas estavam hai xing, nada mal. E isso me dava esperança com relação aos outros.”
Autora: Jen Lin-Liu
Editora: Zahar
Preço: R$ 54,25 no Buscapé.

4) Champanhe

Este e o próximo livro falam sobre bebidas e tenho certeza que vão agradar muito o público masculino. Não por falar sobre bebida, mas por ser um relato histórico. Fazer uma ligação entre o mundo do vinho e as grandes guerras. Uma belíssima aula de história.

Este livro, indispensável para quem se interessa pelo mundo do vinho conta como o Champanhe sobreviveu aos tempos difíceis na França e no mundo.
Descreve bem a saga de personagens famosos deste mundo, como Dom Pérignon e Madame Clicquot, por exemplo.
Para quem já visitou a região, ou pretende conhecer em breve, é leitura obrigatória para entender tudo o que essa bebidinha maravilhosa que todo mundo ryco adora beber em celebrações passou para se perpetuar, e como muito mais que uma bebida, o champanhe é parte da cultura e do orgulho francês.

Frase preferida: “Essas ironias são parcialmente responsáveis pela aura de mistério e romance que envolve o champanhe. O que o champanhe tem? O som da palavra já é como o toque de uma varinha mágica: as pessoas começam a sorrir, relaxar e até fantasiar. Com certeza, nenhum outro vinho prestou-se tanto à poesia, à arte e ao exagero. Casanova o considerava um “equipamento essencial à sedução”. Coco Chanel disse que o bebia somente em duas ocasiões: quando estava apaixonada e quando não estava apaixonada. Lily Bollinger, uma das grandes damas da Champagne, foi além. “Bebo champanhe quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes, bebo quando estou sozinha. Se estou acompanhada, considero-o obrigatório. Bebo uns golinhos quando estou com fome. Fora isso, não toco nele – a não ser, é claro, que esteja com sede.””
Autores: Don & Petie Kladstrup
Editora: Jorge Zahar Editor
Preço: R$ 49,90 na Livraria Cultura

5) Vinho & Guerra

Esse, apesar de último da lista, é o meu livro preferido dos últimos tempos.
Ele é dos mesmos autores do Champanhe e sempre penso: eita caras que escrevem bem e que sabem cativar a sua atenção.
Digo que para me fazer ler um livro de história, ainda mais sobre a guerra, tem que ser algo over the top, porque é um assunto que normalmente não chama minha atenção.
Mas este livro é tão incrível que eu tive vontade de lê-lo inteirinho em um dia. E quando parava por algum motivo, ficava pensando nele o tempo todo.

Um dia quem sabe eu escrevo igual esses caras.

O livro conta como os franceses se desdobraram, se reinventaram e arriscaram tudo o que tinham para manter vivo o seu maior tesouro: o vinho. Para eles, perder seus vinhedos e seus vinhos era o mesmo que perder a própria identidade.

Durante a segunda guerra, além de todos os vinhedos perdidos pela devastação do conflito, os alemães perceberam que tomar o vinho e a cultura do vinho dos franceses era a maior humilhação que podiam causar neste povo. Mas os franceses não estavam dispostos a serem humilhados desta maneira. E não foram.

Desde passagens muito tristes como a falta extrema de comida na França, as doenças e milhares de mortes a histórias de superação, inteligência e estratégia, como os produtores de vinhos que envelheciam paredes com teias de aranha para esconder suas melhores safras, e judeus escondidos transportados dentro de barris, o livro traça um panorama histórico completo – e muito interessante – sobre a segunda guerra e a resistência francesa.
Um livro que todos deveriam ler.

Frase preferida: “Ser um francês significa lutar por seu país e pelo vinho do seu país”
Autores: Don e Petie Kladstrup
Editora: Zahar
Preço: R$ 49,90 na Livraria Cultura

E vocês, quais livros relacionados a comida me indicam?

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